Abalos múltiplos

A sequência de terremotos que atingiu o centro da Itália de agosto a outubro, culminando com um tremor de 6,6 graus, não é um fenômeno inédito: segundo sismólogos, eventos semelhantes já castigaram a mesma região

Efeitos do abalo do fim de outubro em Norcia: sequências como as dos últimos meses já haviam sido registradas na região pelo menos outras duas vezes (Foto: Riccardo De Luca / Anadolu Agency / AFP)

O terremoto de 6,6 graus com epicentro próximo à cidade de Norcia, na Itália, em 30 de outubro, foi o maior no país desde 1980, quando um abalo de magnitude 6,9 graus atingiu Irpinia, no sul da península. Seguido por mais de 200 tremores secundários, ele causou basicamente danos materiais; houve registros de ferimentos em 20 pessoas e pelo menos 15 mil pessoas desabrigadas. O sismo de Norcia é o terceiro de grande porte na Itália Central no espaço de três meses – o primeiro, em 24 de agosto, com epicentro próximo a Amatrice, atingiu magnitude 6,2 (com quase 300 vítimas fatais), e o segundo, em 26 de outubro, a oeste de Visso, chegou a 6,1.

Embora não muito frequente, a sequência de terremotos já teve precedentes na região e é explicada pelos cientistas com base na gradual separação que os Montes Apeninos, que cortam a Itália, estão sofrendo pela ação de forças tectônicas. Os dois lados da cordilheira (composta por duas cadeias paralelas) estão se separando cerca de três milímetros por ano, um décimo da velocidade média de crescimento das unhas. Mas esse processo fica muito mais perigoso em função das diversas falhas que cortam as montanhas. Rupturas nessas falhas precipitam novos abalos. Segundo os cientistas, processos semelhantes ocorreram em 1997 e 1703 na região.

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