Cidades florestais

O projeto de núcleos urbanos ocupados por prédios recobertos de árvores e plantas, desenvolvido na China pelo arquiteto italiano Stefano Boeri, pode servir de modelo para cidades mais sustentáveis

 

O Bosco Verticale, em Milão: ideia de arquitetura verde que Boeri está levando para a China (Foto: Divulgação)
O Bosco Verticale, em Milão: ideia de arquitetura verde que Boeri está levando para a China (Foto: Divulgação)

A poluição do ar enfrentada pela China é tão gigantesca que solucioná-la exigiria medidas extremas. É nesse espaço que o arquiteto italiano Stefano Boeri pode se encaixar bem. Boeri, vale lembrar, é o criador do condomínio Bosco Verticale (Bosque Vertical), situado perto do centro histórico de Milão, na Itália, que ganhou o International High­rise Award (o Nobel da arquitetura dos arranha-céus) de 2014 pela consciência ambiental demonstrada.

O arquiteto já fincou os pés na China: ele anunciou em fevereiro os planos para um projeto semelhante em Nanjing, sua primeira obra na Ásia. A ideia, já em execução (e com prazo de entrega em 2018), é construir duas torres vizinhas adornadas com 23 espécies de árvores e mais de 2.500 arbustos em cascata. Os prédios serão ocupados por um hotel de luxo, um museu, escritórios e uma escola de arquitetura ambiental.

Mas o projeto mais arrojado de Boeri para a líder em poluição planetária é outro: a criação de “cidades florestais”. Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, ele declarou: “Fomos convidados para projetar uma cidade inteira onde você não tem apenas um prédio alto, mas 100 ou 200 prédios de tamanhos diferentes, todos com árvores e plantas nas fachadas. Estamos trabalhando seriamente na concepção de todos os edifícios diferentes. Considero que eles vão começar a construir no final deste ano e, em 2020, poderíamos imaginar já ter pronta a primeira cidade florestal da China.”

Projeto de Boeri para a cidade de Lausanne, na Suíça (Foto: Divulgação)
Projeto de Boeri para a cidade de Lausanne, na Suíça (Foto: Divulgação)

Para Boeri, o que ele fez em Milão e está fazendo em Nanjing pode ser comparado a um enxerto de pele. Já as cidades florestais equivaleriam a um transplante de órgão. Se sua ideia de criar uma série de minicidades sustentáveis se concretizar, ela poderá funcionar como um modelo de concepção urbana para a China – e, por que não, para outros países do mundo.

A primeira dessas minicidades, com cerca de 100 mil habitantes cada, será erguida em Luizhou, um centro urbano de porte médio para os padrões chineses (1,5 milhão de habitantes) na província de Guangxi, no sul do país.­ Já a segunda estaria no olho do furacão: Shijiazhuang, no norte, que aparece constantemente entre as dez cidades mais poluídas da China.

Boeri considera que as autoridades chinesas finalmente entenderam que sua concepção de estimular o surgimento e o crescimento de megalópoles é ambientalmente insustentável. Ele não se preocupa se sua ideia for copiada ou replicada em outros lugares. O importante, lembra, é abrir espaço para novos modelos de cidade em que a arquitetura verde predomine.


Purificador do ar

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Segundo o que se observa no condomínio Bosco Verticale, em Milão, o projeto de Stefano Boeri em Nanjing trará benefícios substanciais para o ar da cidade:

25 toneladas de dióxido de carbono serão retiradas do ar anualmente

60 quilos de oxigênio serão produzidos a cada dia

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