O cérebro humano vai melhorar, não há dúvida. Mas é pouco provável que isso aconteça num processo natural. Nosso cérebro tem características muito particulares. Para começar, ele é grande demais para o tamanho do nosso corpo. Nos primatas, a superfície do córtex cerebral é proporcional ao tamanho do corpo do animal. Se fôssemos chimpanzés, nosso cérebro teria 500 cm3, mas ele tem 900 cm3 a mais. Por outro lado, ele é compartimentado de modo diferente, com um aumento preferencial da superfície das áreas especializadas nas funções cognitivas e linguísticas. Enfim, nosso cérebro tem um desenvolvimento lento, muito prolongado após o nascimento, o que dá uma grande importância aos fenômenos epigenéticos (para além dos genes). No nascimento, o volume endocraniano do sapiens representa apenas 10% do seu volume quando adulto (ante 50% para o chimpanzé). Em grande parte, a rede de conexões é construída durante a infância e se modifica, dentro de limites, ao longo de toda a vida, em função das interações do indivíduo com o seu ambiente (leituras, aprendizados, encontros, vivências, etc.).

Esse modo de construção faz supor que foram selecionadas, no nível genético, estratégias de desenvolvimento que permitem escapar de um determinismo muito estrito, além de estratégias de adaptação, fortemente individualizadas e ligadas ao aprendizado cultural e técnico. São esses centímetros cúbicos a mais que fizeram emergir em nós a consciência – e a angústia indissociável a ela. A eles devemos os poetas, os sábios, os suicidas…

Esse cérebro tão particular surgiu há apenas algumas centenas de milhares de anos. É muito difícil dizer como ele se tornou possível. A rapidez da evolução entre Toumaï (datado de 7 milhões de anos atrás), Lucy (3,2 milhões de anos) e nós, sapiens (120 mil anos), é impressionante. É bem provável que toda a mudança do córtex que levou a uma melhor capacidade de adaptação do indivíduo foi muito positiva no plano da seleção. Os desafios do meio ambiente, por seu lado, favoreceram muito o ser humano – fisicamente tão desprovido de defesas! –, incrementando sua capacidade inventiva e sua adaptabilidade. Uma parte dessa adaptabilidade foi usada para a invenção de formas específicas de vida social e de desenvolvimento de ferramentas.

 

O cérebro, portanto, evoluiu muito até atingir o nível de sapiens. Depois, provavelmente, sofreu mudanças genéticas ainda maiores. De qualquer forma, é bem provável que se puséssemos um recém-nascido Homo sapiens do tempo das cavernas, há aproximadamente 35 mil anos, no seio de uma boa família burguesa contemporânea, disso resultaria um executivo de nível superior perfeitamente capaz de ter sucesso nos dias de hoje. A recíproca também é provável. A quase totalidade dos geneticistas não aposta numa evolução genética do cérebro nos próximos 50 anos.

Podemos sonhar, é claro, com próteses gênicas que ampliarão certas áreas cerebrais, à escolha do freguês… Mas a maior parte dos cientistas aposta muito mais nas tecnologias da inteligência artificial.

Na verdade, já somos ciborgues. A bicicleta prolongou nossas pernas; o computador prolonga nosso cérebro. A internet nos colocou em contato com mundos inacessíveis há apenas 20 anos. Será através dessas interfaces homem/máquina que conseguiremos incrementar nossos desempenhos.

Quem pode excluir a possibilidade de que, amanhã, telefones celulares e computadores sejam integrados a nossos corpos? Ou, ainda, que chips eletrônicos implantados em nossos cérebros não nos colocarão em contato permanente com bases de dados, com bibliotecas ou cinematecas nacionais, por exemplo? Ampliaremos, dessa forma, nossas interações com o mundo, e isso com certeza produzirá efeitos em nossas conexões cerebrais. Se quisermos dirigir a evolução da humanidade, esse tipo de próteses tecnológicas aparecerá como uma opção mais realista do que a modificação genética. Em certos casos, por sinal, será “preciso” fazê-lo. Como no caso dos deficientes auditivos (próteses cocleares) e dos deficientes visuais (retinas artificiais). Espera-se que, um dia, tais tecnologias deem a pacientes que sofreram lesões do sistema nervoso a possibilidade de se comunicar, escrever e caminhar. Muitos laboratórios já trabalham ativamente no desenvolvimento dessas tecnologias.

Por fim, a prazo ainda mais longo, o conhecimento dos mecanismos básicos do desenvolvimento do cérebro nos permitirá considerar a criação de meios de “reparação” muito mais radicais. Quando aprendermos a manipular os períodos críticos de formação dessa ou daquela parte do sistema nervoso, poderemos pensar na reconstrução de um trecho de medula espinhal ou de um hipocampo. São possibilidades futuristas, mas de modo algum inatingíveis para a inteligência humana.

Simulação da água em Marte

O brasileiro Nilton rennó, da Universidade de Michigan (EUa), que detectou a existência de água líquida em Marte sob baixas temperaturas, planeja fazer uma simulação das condições atmosféricas do planeta para provar sua teoria. Segundo ele, é a alta concentração de sais que explica o fenômeno. Com o apoio do Centro de astrobiologia de Madri, rennó poderá investir num equipamento em que um pedaço de metal é resfriado a uma temperatura entre -60ºC e -70ºC. O metal receberá sal, para que a água supersalgada possa se materializar. Depois, será colocado gelo na câmara, simulando o solo marciano. De acordo com rennó, a água vai passar diretamente do estado sólido ao gasoso e formar gotas onde houver partículas de sal.

 

Obesos e fumantes

Pesquisa do instituto Karolinska (Suécia) divulgada no British Medical Journal reuniu dados de exames médicos de 45.920 homens entre 16 e 19 anos. Eles foram acompanhados por 38 anos, ao longo dos quais tiveram os seus índices de massa corpórea (iMC) e hábitos de fumo anotados; nesse período, 2.897 deles morreram. Os pesquisadores concluíram que o número de mortes prematuras nos adultos fumantes com iMC normal foi o mesmo do de não fumantes obesos.

À prova de câncer

Nasceu na Grã-bretanha o primeiro bebê selecionado por cientistas para evitar a predisposição ao câncer de mama e de ovário. a experiência foi feita por pesquisadores do University College de londres (UCl). O embrião foi escolhido por não apresentar o gene brCa1, que pode aumentar em 80% a probabilidade de surgimento de câncer de mama e em 60% o de ovário. a técnica utilizada nesse bebê, batizada de Diagnose com Pré-implantação Genética (PGD, em inglês), parte de testes genéticos em embriões de fertilização in vitro.

 

 

 

Está no beijo

Cientistas da Faculdade de lafayette (EUa) estudaram os efeitos que o beijo causa no ser humano. até agora, foi constatado que o beijo e a troca de saliva alteram o nível de oxitocina liberado na corrente sanguínea – causam redução em mulheres e aumento em homens. Os cientistas consideram esse fato curioso, mas suspeitam que a diferença seja porque as mulheres têm naturalmente mais desse hormônio que os homens. Também concluiu-se que 15 minutos de beijos com a pessoa amada reduzem o nível de cortisol, o hormônio do estresse.

Quantos neurônios o homem tem?

Os neurocientistas Suzana Herculano-Houzel e roberto lent, da Universidade Federal do rio de Janeiro (UFrJ), descobriram que os homens têm 86 bilhões de neurônios, em vez de 100 bilhões, como se imaginava. a pesquisa durou seis anos e foi concentrada em voluntários sadios entre 50 e 70 anos. Outra descoberta é que 50% das células que ocupam a caixa craniana são neurônios – antes, pensava-se que eram apenas 10%.