Deserto produtivo

Em uma das mais secas áreas da Terra, no Egito, floresce há décadas um projeto agrícola

A foto tirada pelo satélite Landsat 8 em fevereiro mostra a paisagem do deserto transformada pelo homem em East Oweinat, no Egito. A forma circular das terras cultivadas (bem nítida no destaque à esquerda) denuncia o método de irrigação utilizado. Uma empresa já teria produzido 40 mil toneladas de trigo em um ano no empreendimento (Foto: Nasa)

No superárido Deserto Ocidental do Egito – parte do Saara situada entre a margem oeste do rio Nilo e a Líbia –, a precipitação de chuva é de apenas alguns centímetros por ano. Nada mais improvável do que praticar a agricultura ali. Mas a necessidade é a mãe da invenção, e desde os anos 1980 estão se desenvolvendo ali alguns projetos de recuperação de terras.

As fotos aqui reproduzidas, feitas pelo satélite Landsat 8 em 26 de fevereiro deste ano, flagram uma dessas iniciativas, East Oweinat. Os círculos no solo indicam o método de irrigação: pulverizadores (sprinklers) que giram em torno de um pivô central borrifam a água retirada do subsolo. A água é extraída do aquífero Arenito Núbia, que se estende por cerca de 2 milhões de km2 sob terras de Egito, Líbia, Chade e Sudão.

O aquífero tem 150.000 km2 de capacidade, mas, sem reposição, sua água deve se esgotar com o tempo. Enquanto isso não acontece, as safras vão se sucedendo. Segundo pesquisas publicadas em 2010, a operação agrícola em East Oweinat se estendeu por quase 5 mil km2. Diz-se que uma empresa de arrendamento de terras teria produzido ali 40 mil toneladas de trigo (alimento tradicional no Egito) em um ano. Um aeroporto situado no lado leste do projeto serve para escoar a produção.

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