Mistério estelar

O comportamento enigmático do brilho de uma estrela a quase 1.500 anos-luz da Terra, cujas hipóteses variam de enxame de cometas a megaestruturas alienígenas, repete-se em maio e desafia os cientistas

A estrela de Boyajian, em concepção artística da Nasa na qual um planeta próximo está em destroços: padrão anômalo (Ilustração: Nasa)

Um dos mais intrigantes objetos do universo, a “estrela de Boyajian” voltou a exibir, em maio, um padrão de escurecimento e brilho que desafia os cientistas. Por enquanto, as hipóteses para explicar o fenômeno variam de enxames de cometas a megaestruturas alienígenas, e para avançar nesse terreno foi convocada uma força-tarefa internacional de telescópios destinada a investigar a estrela.

Situada a 1.480 anos-luz da Terra, na constelação do Cisne, a KIC 8462852, ou estrela de Boyajian (homenagem à astrônoma americana Tabetha Boyajian, líder da equipe que detectou as variações), demonstra por vezes um ciclo irregular de redução de brilho, que depois volta ao estado anterior. As mudanças foram detectadas pela primeira vez em setembro de 2015, por meio do telescópio espacial Kepler, da Nasa. Um dos focos na construção do Kepler foi exatamente observar essas variações de brilho, já que elas podem ser causadas pela passagem de um planeta na frente da estrela. Essa explicação, porém, não funciona no caso da KIC 8462852.

Para os cientistas, a redução do brilho se deveria à passagem de um enxame de cometas, a destroços de um planeta, a uma forte atividade magnética ou a uma gigantesca estrutura construída por alienígenas. Os pesquisadores anseiam por obter uma imagem bem detalhada da luz da estrela durante um desses períodos de escurecimento. A partir disso, eles poderão deduzir, por exemplo, os elementos químicos específicos presentes em um gás, ou se um objeto está se aproximando ou se afastando do observador.

“O que quer que faça a estrela escurecer deixará uma impressão digital espectral”, afirma Jason Wright,­ professor associado de astronomia na Universidade Estadual da Pensilvânia. “Portanto, se houver muita poeira entre nós e a estrela (…), ela bloquea­rá mais luz azul do que vermelha. Se houver gás na poeira, ele deverá absorver comprimentos de onda muito específicos e poderemos ver isso.”

O fato de não se poder prever a ocorrência e a duração das fases de escurecimento da estrela complica o estudo, já que a programação de uso de grandes telescópios é definida com até meses de antecedência. Mas o pedido de socorro mobilizou uma grande legião pelo fim do mistério. Entre os telescópios participantes desta vez estão os de Keck (localizado no Havaí) e Lick (situado na Califórnia).

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