11 de Setembro: 18 anos depois, câncer ameaça socorristas do atentado

Estudo encontrou um aumento de 40% no diagnóstico de câncer de cabeça e pescoço entre bombeiros, policiais e militares que socorreram as vítimas do atentado

AFP

Enquanto o mundo relembra os atentados terroristas de 11 de setembro nesta quarta-feira, que completam 18 anos, bombeiros e socorristas que prestaram atendimento às vítimas lidam com uma incidência de câncer acima da média para a população.

Um estudo da Universidade de Rutgers (EUA) publicado no início deste ano descobriu um aumento significativo no câncer de cabeça e pescoço entre trabalhadores e voluntários que responderam aos ataques, apontando para novos riscos emergentes que exigem monitoramento e tratamento contínuos daqueles que foram exposto durante a resposta inicial.

A pesquisa começou quando os médicos que tratavam as pessoas expostas ao WTC no Programa de Saúde do World Trade Center da Rutgers ficaram preocupados com um número alto de pacientes com câncer de cabeça e pescoço.

Eles compararam a incidência de câncer de cabeça e pescoço em 73 pessoas entre os 33.809 respondentes do WTC do programa de 2003 a 2012 ao número de casos esperados com base no Registro de Câncer do Estado de Nova Jersey. O estudo foi o primeiro a relatar câncer de cabeça e pescoço nos socorristas do WTC, encontrou um aumento de 40% no diagnóstico dessas doenças entre 2009 e 2012, comparado com a incidência na população em geral.

Os aumentos mais prevalentes foram os cânceres orofaríngeos, frequentemente associados à infecção pelo HPV, e o câncer de laringe, mas não os cânceres orais e nasais. O estudo também descobriu que os cânceres de cabeça e pescoço estavam mais associados a respondentes com mais de 55 anos, brancos não-hispânicos, ou que trabalhavam em ocupações militares ou de serviço de proteção, realizavam resgate e recuperação e mantinham o perímetro após os ataques.

Segundo Judith Graber, professora associada da Escola de Saúde Pública da Rutgers, a ocorrência excessiva de câncer de cabeça e pescoço é plausível, pois os socorristas inalaram nuvens de detritos contendo muitos agentes cancerígenos conhecidos.

“Além disso, essas exposições cancerígenas podem adicionar ou aumentar o efeito de fatores de risco pessoais conhecidos para alguns tipos de câncer de cabeça e pescoço, como tabagismo, uso excessivo de álcool e infecção oral por HPV”, afirmou a pesquisadora em comunicado da faculdade.

Ainda de acordo com a cientista, como os cânceres são doenças de longa latência, as descobertas de excesso significativo de câncer nesse período apontam para uma nova tendência emergente que requer monitoramento e tratamento contínuos de pessoas expostas ao WTC, da polícia e das forças armadas, e também a necessidade de examinar outros fatores de risco fortes.

A pesquisa foi publicada no “International Journal of Cancer“.