2019 foi o segundo ano mais quente da história da Terra, informa UE

Dados de serviço climático da União Europeia mostram ainda que os cinco últimos anos foram os mais quentes registrados no planeta

Incêndio na Austrália em 2013: a última década foi a mais quente registrada na Terra, segundo o C3S. Crédito: Lithgowlights/Wikimedia

O ano de 2019 foi o segundo mais quente já registrado na Terra, e os anos 2010 como um todo representam a década mais quente da história do planeta, segundo o Copernicus Climate Change Service (C3S), principal organização de monitoramento climático da União Europeia. Os dados coletados pela organização revelaram que a temperatura média em 2019 ficou apenas alguns centésimos de grau abaixo do nível recorde de 2016.

“2019 foi outro ano excepcionalmente quente, na verdade o segundo mais quente do mundo em nosso conjunto de dados, com muitos meses individuais quebrando recordes”, disse Carlo Buontempo, diretor do C3S.

Na década, o Copernicus descobriu que os cinco últimos anos foram os mais quentes já registrados no planeta. Na Europa, especificamente, 2019 foi o ano mais quente já registrado. “Estes são indiscutivelmente sinais alarmantes”, disse Jean-Noel Thepaut, antecessor de Buontempo no C3S.

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Em 2019, as temperaturas globais foram 0,6 °C mais elevadas que a média em 1981-2010. Além disso, os últimos cinco anos foram entre 1,1 °C e 1,2 °C mais quentes do que a era pré-industrial.

Elevação contínua

As temperaturas de 2016 foram impulsionadas por um fenômeno El Niño consideravelmente forte. Já 2019, sem um fator climático extraordinário a levar em conta, foi apenas 0,04 °C mais frio, o que indica uma tendência de ascensão contínua.

O C3S também descobriu que as concentrações atmosféricas de carbono que levam a temperaturas mais altas atingiram em 2019 os níveis mais altos já registrados. Vale lembrar que, segundo cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da ONU, as emissões de gases causadores do efeito estufa precisam ser reduzidas em 7,6% ao ano até 2030 para limitar a temperatura a 1,5 °C, um objetivo inalcançável se o atual estado de coisas prevalecer.

Estima-se que as atividades humanas já tenham causado aquecimento de 1,0 °C. Caso as atividades humanas continuem na taxa atual, a probabilidade é de que o aquecimento chegue a 1,5 °C entre 2030 e 2052.

Embora os climatologistas não gostem de vincular eventos climáticos específicos às mudanças climáticas, 2020 começou com uma série de desastres naturais que parecem estar ligados a temperaturas mais quentes. As mais destacadas dessas ocorrências são, por enquanto, os incêndios florestais na Austrália e inundações na Indonésia. Catástrofes semelhantes devem se tornar ainda mais frequentes à medida que as temperaturas globais aumentam.

Sacrifício de camelos

Entre os fatos incomuns decorrentes da elevação das temperaturas que deverão se tornar gradualmente mais rotineiros está o sacrifício de 10 mil camelos em um território aborígine na parte norte do estado da Austrália Meridional. Trazidos por colonizadores britânicos, esses animais se multiplicaram na Austrália, a ponto de hoje a população de camelos selvagens chegar a 1,2 milhão de exemplares nas áreas desérticas do país – um problema considerável numa região onde a água anda extremamente escassa.

Segundo o governo do território de Anangu Pitjantjatjara Yankunytjatjara, “as manadas em busca de água colocam em risco as comunidades aborígines”. Em resposta, franco-atiradores a bordo de helicópteros estão autorizados a exterminar os animais. A decisão é apoiada pela Secretaria do Meio Ambiente da Austrália Meridional: “Muitos (camelos) morreram de sede ou ficaram feridos em confrontos ao competir por fontes de água”, declarou um porta-voz do órgão.

O sacrifício começou ontem (8 de dezembro) e deve durar cinco dias. Os animais mortos serão queimados.