A ENERGIA DO FUNDO DA TERRA

Governos e até o Google investem para obter eletricidade a partir de rochas aquecidas

O calor da lava despejada pelos vulcões durante suas erupções é uma amostra do potencial da energia geotérmica.

Rochas aquecidas nas profundezas da Terra representam um imenso potencial de energia renová- Rvel, e dois importantes passos para aproveitá- la foram dados em agosto. O primeiro coube ao governo da Austrália, que anunciou um investimento de mais de US$ 42,5 milhões para desenvolver formas de converter essa energia, chamada geotérmica, em eletricidade. O segundo é uma iniciativa privada: a Renewable Energy Cheaper than Coal (“Energia Renovável Mais Barata que o Carvão”), braço filantrópico do Google.org – a gigante multinacional de busca na internet -, vai injetar US$ 10 milhões em maneiras mais eficientes de explorar esse recurso.

A energia geotérmica se origina abaixo da crosta terrestre, na região denominada manto. Ele é composto por rochas líquidas submetidas a temperaturas elevadas – o magma. Os depósitos ou correntes de água que se encontram nessa área são aquecidos pelo magma até temperaturas acima de 140º Celsius e, quando encontram fendas na crosta, emergem no formato de gêiseres, fumarolas ou fontes termais. Calcula-se que a energia geotérmica equivale a 50 mil vezes a energia obtida a partir de todos os recursos de gás e petróleo da Terra.

O Google.org tem interesse no desenvolvimento de sistemas geotérmicos estimulados (EGS, na sigla em inglês). Numa ampliação da tecnologia tradicional – que aproveita bolsões de vapor ou água quente produzidos de forma natural -, os EGS permitem que ela seja usada em quase todos os lugares do planeta. Esses sistemas envolvem perfurações profundas no subsolo, nas quais a água é injetada. Com isso, as rochas quentes se fragmentam, favorecendo a circulação e o aquecimento da água. O líquido volta então para a superfície, em velocidade suficiente para mover turbinas e produzir eletricidade.

As iniciativas anunciadas em agosto se somam a esforços em andamento em países como Islândia, França e Alemanha. Pesquisadores dos dois últimos países, aliás, produzem desde junho 1,5 megawatt de energia geotérmica numa central experimental em Soultz-sous- Forêt, a 50 quilômetros de Estrasburgo.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o geólogo Albert Gender, coordenador científico do projeto, previu que essa energia poderá ser obtida a preços comercialmente viáveis em 20 anos. Mas, além do custo, um efeito colateral dessa tecnologia ainda precisa ser controlado: o risco de terremotos, até em regiões geologicamente estáveis.

No Brasil, a Petrobras é pioneira no uso da energia geotérmica. A empresa recorre ao calor de poços de petróleo secos no Rio Grande do Norte para aquecer aproximadamente 500 mil metros cúbicos de gás natural por dia, e a energia daí resultante é empregada em outros poços produtores. Essa estratégia evitou a construção de um gasoduto de US$ 50 milhões na área.

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