A fechada Arábia Saudita começa a emitir visto para turista estrangeiro

País pretende estimular a indústria turística como preparação para a era pós-petróleo

Mada’in Saleh, sítio construído pelos nabateus: uma das preciosidades a que os estrangeiros começarão a ter acesso. Crédito: Ahmad AlHasanat/Wikimedia

A Arábia Saudita começará a oferecer amanhã vistos de turista a estrangeiros, noticiaram hoje o jornal “The Guardian” e a rede alemã Deutsche Welle, com informações das agências . É uma transformação e tanto para o reino muçulmano ultraconservador, que vai apostar no turismo como uma forma de tornar a economia do país menos dependente do petróleo. A atividade turística é um dos itens centrais do programa Visão 2030, pelo qual o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman quer preparar a economia do país para a era pós-petróleo.

“Abrir a Arábia Saudita para turistas internacionais é um momento histórico para o nosso país”, declarou em um comunicado Ahmed al-Khateeb, chefe do turismo saudita. “Os visitantes serão surpreendidos (…) pelos tesouros que temos para compartilhar – cinco locais de patrimônio mundial da Unesco, uma cultura local vibrante e uma beleza natural de tirar o fôlego.”

Segundo Khateeb, a Arábia Saudita abrirá neste sábado aplicativos para vistos de turista online a cidadãos de 49 países, entre eles Japão, China, Estados Unidos e nações europeias. As cidades sagradas de Meca e Medina continuarão proibidas a estrangeiros.

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Khateeb disse em uma entrevista antes do anúncio oficial que as visitantes não seriam obrigadas a vestir a abaya, espécie de bata obrigatória para as sauditas. Mas as turistas teriam de usar “roupas modestas”, inclusive nas praias.

Até hoje, os vistos para visita à Arábia Saudita eram restritos a trabalhadores, seus dependentes e peregrinos muçulmanos que viajam para Meca e Medina. Mas já em 2018 o país começou a emitir vistos temporários para visitantes participarem de eventos esportivos e culturais.

Dificuldades

O reino saudita ainda é visto como um destino pouco interessante para turistas. Entre as dificuldades estão o código social rígido e a proibição do consumo de álcool. O príncipe Salman tenta combater essa imagem por meio de uma ampla campanha de liberalização, que trouxe novos cinemas, concertos com homens e mulheres na plateia e competições esportivas para o país.

Segundo os sauditas, a meta é conquistar 100 milhões de visitas anuais de turistas nacionais e estrangeiros até 2030. O objetivo levaria a indústria turística local a saltar de uma fatia de 3% na economia do país para 10%. Também proporcionaria a criação de 1 milhão de empregos, algo importante num país com alto desemprego juvenil.

Mas, além de atrair esses visitantes, a Arábia Saudita ainda precisaria trabalhar vários detalhes para concretizar suas ambições. Só em acomodações, estima-se que 500 mil novos quartos de hotel serão necessários no país na próxima década.

O reino saudita tem despendido fortunas para estimular o turismo. Em 2017, ele anunciou um projeto de bilhões de dólares para transformar 50 ilhas e outros locais primitivos do Mar Vermelho em resorts de luxo. No ano passado, foi anunciada a construção da “cidade do entretenimento” de Qiddiya, perto da capital, Riad. A iniciativa incluiria parques temáticos sofisticados, instalações para esportes a motor e uma área de safári.

A Arábia Saudita também está desenvolvendo locais históricos, como Mada’in Saleh, lar de túmulos de arenito erguidos pelos nabateus, a mesma civilização que construiu a cidade jordaniana de Petra.