A incrível viagem da lama dos Andes pelo Amazonas

Uma parte substancial dos sedimentos que o rio despeja no Oceano Atlântico vem da cordilheira no oeste da América do Sul

Sedimentos visíveis despejados pelo rio Amazonas no Oceano Atlântico: cerca de 1,3 milhão de toneladas por dia. Crédito: Nasa Earth Observatory/Lauren Dauphin, com dados Modis de Nasa Eosdis/Lance e Gibs/Worldview

Todos os dias, cerca de 1,3 milhão de toneladas de sedimentos são despejados na foz do rio Amazonas, no Oceano Atlântico. A abundância de sedimentos (pedaços de rochas, solo e argila carregados pelas correntes ou repousando no fundo) é o que dá ao Amazonas sua cor marrom leitosa. A imagem em cores naturais apresentada acima, publicada pelo portal Nasa Earth Observatory, destaca o delta e o estuário do Amazonas, conforme observado pelo Espectrorradiômetro de Imagem de Resolução Moderada (Modis) no satélite Terra, da Nasa, em 29 de julho de 2020.

Vale a pena observar também as nuvens cúmulos de baixa altitude, às vezes chamadas de nuvens pipoca, na paisagem. O ar quente e úmido sobe da floresta e esfria conforme sobe, resultando no desenvolvimento das nuvens. Mas as águas do rio (e o ar acima delas) são mais frias. Então, há menos umidade subindo para a atmosfera.

Quase todos os sedimentos que chegam ao Oceano Atlântico através do rio Amazonas percorreram uma distância tremenda. Grande parte deles veio desde o sopé da cordilheira dos Andes, no Peru e na Bolívia. Os hidrólogos estimam que a erosão da parte montanhosa do extremo oeste da bacia do rio contribui com cerca de 85% a 90% de todos os sedimentos que chegam ao mar.

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Nutrientes

A maior parte do sedimento vem de três rios de “águas brancas” que correm pela Amazônia ocidental: o Marañón, o Ucayali e o Mamoré. Em contraste, os rios de “águas claras” encontrados nas planícies do sul da Amazônia e os rios de “águas negras” manchados de folhas encontrados no oeste e no norte da Amazônia transportam quantidades mínimas de sedimentos.

Os efeitos dos sedimentos não são apenas estéticos. A água lamacenta é carregada de nutrientes (como nitrogênio e fósforo) e matéria orgânica que tornam os rios de águas brancas e as matas de várzea particularmente ricos em espécies vegetais e animais, notadamente peixes. A região do estuário mostrada aqui é conhecida por seus muitos bagres e corvinas de água doce e salgada. Muitas das atividades pesqueiras comerciais no estuário têm como alvo a piramutaba e o camarão marinho.

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