A matéria escura do universo foi descoberta? É bem possível que sim

Análise inovadora que usa dados reunidos durante 20 anos pode ter detectado pela primeira vez essa matéria oculta

Análise estatística pioneira pode enfim ter encontrado a elusiva matéria escura. Crédito: Pixabay/CC0 Public Domain

Os astrofísicos consideram que cerca de 40% da matéria comum que compõe estrelas, planetas e galáxias permanece indetectável, oculta na forma de um gás quente na complexa teia cósmica. Centistas do Instituto de Astrofísica Espacial (CNRS/Universidade de Paris-Saclay, da França) podem ter detectado, pela primeira vez, essa matéria oculta por meio de uma análise estatística inovadora de dados de 20 anos. Suas descobertas foram publicadas na revista “Astronomy & Astrophysics”.

As galáxias são distribuídas pelo universo na forma de uma complexa rede de nós conectados por filamentos. Estes, por sua vez, são separados por vazios. Esse conjunto é conhecido como teia cósmica. Acredita-se que os filamentos contenham quase toda a matéria comum (chamada bariônica) do universo na forma de um gás quente difuso. No entanto, o sinal emitido por esse gás difuso é tão fraco que, na realidade, 40% a 50% dos bárions passam despercebidos.

São os bárions que faltam, escondidos na estrutura filamentar da teia cósmica, que a pesquisadora Nabila Aghanim e Hideki Tanimura (pesquisador de pós-doutorado), juntamente com seus colegas, estão tentando detectar. Em um novo estudo, eles apresentam uma análise estatística que revela, pela primeira vez, a emissão de raios X pelos bárions quentes nos filamentos.

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Raios X

Essa detecção é baseada nos sinais de raios X acumulados, nos dados do levantamento ROSAT2, em aproximadamente 15 mil filamentos cósmicos de grande escala identificados no levantamento de galáxias SDSS3. A equipe usou a correlação espacial entre a posição dos filamentos e a emissão de raios X associada para fornecer evidências da presença de gás quente na teia cósmica e, pela primeira vez, medir sua temperatura.

Essas descobertas confirmam análises anteriores da mesma equipe de pesquisa, com base na detecção indireta de gás quente na teia cósmica por meio de seu efeito no fundo de micro-ondas cósmico. Isso abre caminho para estudos mais detalhados, usando dados de melhor qualidade, para testar a evolução do gás na estrutura filamentar da teia cósmica.

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