ABBA: o retorno musical mais surpreendente da década

Após quase 40 anos, a banda ABBA volta à ativa com o álbum "Voyage" e um show virtual. Será que o grupo pop conseguirá novos fãs?

O entusiasmo dos fãs do grupo de pop sueco ABBA realmente nunca diminuiu nos quase 40 anos desde a separação da banda, em 1982. Pelo contrário: a comunidade queer elevou os quatro suecos a ícones, festas temáticas em referência ao ABBA foram realizadas em clubes de todo o mundo, e a reputação dos músicos como perfeccionistas do pop se solidificou.

E agora o novo álbum Voyage, do ABBA, está sendo lançado nesta sexta-feira (05/11). Será que os quatro suecos serão capazes de corresponder às expectativas depositadas pelos fãs? Afinal, o retorno da banda já está sendo saudado como o mais espetacular da década, senão da história do pop.

O que já pode ser dito: é um retorno planejado nos mínimos detalhes e perfeitamente encenado. “A jornada está prestes a começar. ABBA. Voyage”, anunciou o site oficial da banda em agosto, e foram enviados convites virtuais para um evento online ao vivo em 2 de setembro.

A máquina de publicidade funcionou a toda velocidade e todos embarcaram. E então, na grande noite, começou uma viagem virtual ao redor do mundo: fãs de todos os continentes contaram o que o ABBA significava para eles, cantaram suas músicas e ergueram cartazes com mensagens para a banda.

270 mil acompanharam a transmissão ao vivo

Em Sydney, a ponte Harbour Bridge se iluminou em homenagem ao ABBA, e Kylie Minogue enviou uma saudação. A rádio britânica BBC chegou a adiar seu noticiário das 18 horas para apresentar duas das dez novas canções.

O novo single, “I still have faith in you”, é uma ode à amizade – apesar das separações pessoais e musicais – e resume os últimos 40 anos da banda: “Do I have it in me? I believe it is in there / For I know I hear a bittersweet song / In the memories we share […] The crazy things we did / It all comes down to love”. Uma canção melodiosa e aprazível com as vozes, tão brilhantes, como sempre, de Agnetha Fältskog e Anni-Frid Lyngstad. Uma típica música do ABBA, em algum lugar entre pop fácil e canção popular.

O segundo single, “Don’t shut me down”, que também foi apresentado em setembro, começa com um vocal tranquilo de Agnetha e muda para uma batida mais forte após alguns compassos, acompanhada por piano e cordas.

A melodia é cativante, a letra fica na memória. Nesta canção, Benny Andersson e Björn Ulvaeus seguem sua receita de composição musical que ajudou a banda a alcançar fama mundial. O terceiro single, “Just a notion”, foi lançado no fim de outubro: a sequência de abertura convidando à dança lembra um pouco “Waterloo”, o sucesso com que a banda venceu o Grande Prêmio da Canção Eurovisão em 1974, e se projetou para uma carreira mundial sem precedentes.

Na época, lembrou Andersson no evento de 2 de setembro, os quatro suecos ainda eram considerados uma banda “de um sucesso só” e que certamente teria apenas uma passagem rápida pela fama após ter conquistado o Eurovisão.

Mas os críticos estavam enganados: após 400 milhões de álbuns, 17 hits ocupando o primeiro lugar nas paradas de sucesso, um musical que vem sendo encenado com sucesso há 20 anos e dois longas-metragens, o ABBA lança agora mais um álbum.

Uma arena também está sendo montada em Londres para os concertos do álbum Voyage em 2022, onde avatares futuristas-retrô apelidados de “ABBAtars” se “apresentarão” duas vezes por dia, para cerca de 5 mil espectadores.

Na concepção desses hologramas digitais, Ulvaeus, Andersson, Fältskog e Lyngstad estiveram conectados a cabos por cinco semanas, em 2020, movimentando-se 11 horas por dia no palco. A partir dessa “coisa digital” – como Benny Andersson chama a parafernália –, foram criados seus dublês digitais para o show.

Agnetha e Anni-Frid em segundo plano

As duas cantoras não viajaram para Londres para a apresentação do show e do novo álbum à imprensa. Anni-Frid esteve gravemente doente por um longo tempo, e Agnetha tem medo de voar. Mas há também outros motivos para crer que a reunificação da banda não é tão importante para elas quanto para os homens.

“Elas deveriam estar aqui”, disse Björn, meio brincando, “mas elas não gostam [de publicidade] tanto quanto o Benny.” O pianista também confessou que estava nervoso antes da primeira sessão de gravação.

“Cinco minutos antes de elas [Agnetha e Anni-Frid] entrarem no estúdio, pensei: ‘Eu deveria ter perguntado se elas ainda sabiam cantar’. Mas elas sabiam e sabem, e vocês confirmarão isso ao ouvir o álbum”.

Musicalmente, o ABBA quer voltar às origens. “Nunca olhamos como estão as paradas de sucesso de hoje”, confirmou Björn numa coletiva de imprensa. “Desde o início, decidimos escrever as melhores canções que podíamos.”

Os suecos, agora septuagenários, acompanham os novos tempos: usam habilmente as redes sociais para promover a reunificação da banda. E, a julgar pela repercussão – “Just a notion” foi curtida cerca de 1,8 milhão de vezes em uma semana, por exemplo –, eles administram muito bem o equilíbrio entre o velho e o novo. Dessa forma, não só reativam seus fãs de sempre, mas também conseguem novos seguidores.

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