Ação militar contra fogo na Amazônia acarreta multas de R$ 141 milhões

Operação Verde Brasil, que combateu mais de 1.800 focos de incêndio, também resultou em grandes apreensões de madeira e desmonte de acampamentos clandestinos; autoridades também falaram no evento sobre situação do óleo no Nordeste

Imagem de satélite de 21 de agosto mostra fumaça de queimadas na região de Altamira (PA), onde foram registrados os casos mais graves de incêndio florestal. Crédito: Inpe

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, fez ontem (29 de outubro) um balanço da atuação das Forças Armadas na Amazônia em uma operação de garantia da lei e da ordem (GLO) denominada Verde Brasil. Segundo o general, a campanha dos militares na região foi concluída com uma redução significativa dos focos de incêndio e a fiscalização de atividades irregulares na região.

Entre agosto e setembro, houve redução de 16% dos focos, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). De setembro a outubro, na contabilidade ainda não fechada do mês atual, houve nova queda. “O número de queimadas começa a diminuir, face à atuação nossa também. Ainda falta acabar o ano, mas tende a ficar abaixo da média histórica”, declarou Azevedo.

Pelos mapas apresentados no balanço, alguns focos permanecem em localidades, com casos mais graves na região de Altamira, no Pará. A operação começou em 23 de agosto e terminou em 24 de outubro, em meio a polêmicas e críticas internas e externas e respostas do Executivo. De acordo com o ministro, foram combatidos 1.407 focos de incêndio por via terrestre e 428 focos por via aérea. O ministro apresentou também dados sobre a evolução do desmatamento nos últimos meses, ressaltando que houve um aumento em agosto.

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Quatro alvos

Foi ainda iniciada investigação para apurar responsáveis, que chegou a deter fazendeiros suspeitos. O delegado da Polícia Federal Tiago Ferreira destacou a Operação Pacto do Fogo, deflagrada recentemente e que teve quatro alvos entre empresários e donos de terras.

“Apreendemos equipamentos econômicos de quatro alvos, que estão sendo analisados. Com base nela [análise], vamos poder determinar se há outras pessoas envolvidas e, a partir daí, expandir a linha de investigação”, informou Ferreira.

Além das investigações e do combate aos focos, Azevedo e Silva apresentou números relacionados à fiscalização de crimes ambientais na região, como extração de madeira e garimpo sem autorização. Os militares aplicaram 352 termos de infração, que resultaram em R$ 141 milhões em multas. Nas ações, foram apreendidos 23 milhões de metros cúbicos de madeira obtida ilegalmente e desmontados 45 acampamentos clandestinos.

Óleo no Nordeste

O ministro da Defesa também abordou a operação de combate às manchas de óleo no Nordeste. Reiterou a atuação das Forças Armadas e agências do Executivo em parceria com autoridades estaduais e municipais. Segundo Azevedo, até 29 de outubro a contabilização do governo registrava 254 localidades atingidas. Ontem (terça-feira), 19 praias registravam manchas de óleo.

O comandante operacional da Marinha, Leonardo Puntel, confirmou a preocupação de deslocamento das manchas para o sul da Bahia, com risco de atingir o santuário de Abrolhos, e para o Espírito Santo. Ele argumentou que o acompanhamento é difícil, uma vez que o óleo trafega por baixo da superfície do oceano, emergindo quando entra em contato com a arrebentação.

Sobre as apurações, Puntel retomou a informação dada no último sábado (26 de outubro) de que o governo investiga 30 navios de 11 países e notificou as empresas e os governos para cobrar esclarecimentos deles. A Marinha também visa descobrir navios de atuação não oficial (dark ships, no termo em inglês). “Não é investigação fácil. É local de 500 quilômetros da costa do litoral nordestino, área retangular, e com isso muitos navios passaram por ali”, observou.

Questionado por jornalistas, Fernando Azevedo e Silva negou que o governo tenha demorado a atuar e ressaltou que, desde 2 de setembro, equipes de autoridades do Executivo foram designadas para atuar no combate às manchas. “O governo vem atuando desde o dia 2 de setembro. Estamos aperfeiçoando os processos, em coordenação das áreas federal, estadual e municipal”, respondeu.