Algoritmo de aprendizado de máquina faz descobertas científicas

Novos algoritmos fazem as habilidades de máquinas como o Kismet (acima) parecerem cada vez mais primitivas. Foto: Polimerek/Wikipedia

Momento importante da inteligência artificial: os computadores já adquiriram a capacidade de fazer descobertas científicas, segundo informam pesquisadores do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, do Departamento de Energia dos Estados Unidos, em artigo publicado no periódico “Nature” e abordado na revista “Cosmos”.

A equipe liderada por Anubhav Jain mostrou que um algoritmo sem treinamento em ciência de materiais pode escanear o conteúdo de milhões de documentos e descobrir neles novos conhecimentos científicos. Para isso, eles reuniram 3,3 milhões de resumos de materiais publicados e os introduziram em um algoritmo chamado Word2vec, que analisou as relações entre palavras e conseguiu prever descobertas de novos materiais termelétricos com anos de antecedência e sugerir materiais ainda desconhecidos como possíveis materiais termelétricos.

Os pesquisadores coletaram resumos de artigos publicados em mais de mil periódicos entre 1922 e 2018. O algoritmo transformou cada uma das cerca de 500 mil palavras distintas nesses resumos em um vetor de 200 dimensões, ou uma matriz de 200 números.

Uma vez treinado sobre o texto da ciência dos materiais, o Word2vec conseguiu aprender o significado de termos e conceitos científicos, como a estrutura cristalina dos metais, baseado simplesmente nas posições das palavras nos resumos e sua presença simultânea com outras palavras.

“Sem que lhe fosse dito nada sobre ciência dos materiais, (o algoritmo) aprendeu conceitos como a tabela periódica e a estrutura cristalina dos metais”, afirma Jain. “Mas, provavelmente, a coisa mais interessante que descobrimos é que você pode usar esse algoritmo para resolver lacunas na pesquisa de materiais, coisas que as pessoas deveriam estudar, mas ainda não estudaram até agora.”

Segundo os pesquisadores, o projeto surgiu da dificuldade apresentada pelos cientistas em assimilar a grande quantidade de estudos publicados. Com o auxílio da inteligência artificial, o problema parece ter se tornado uma solução de amplitude ainda inimaginável.

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