Algoritmo identifica autoria real em músicas de Lennon e McCartney

Lennon e McCartney: ferramenta de Harvard fornece novos parâmetros para se analisar a participação de cada compositor nas canções. Foto: Wikimedia

Sistema ligado ao algoritmo permite um estudo da forma como as influências de cada músico mudam com o tempo

 

A atribuição de autoria de canções dos Beatles simplesmente a “Lennon/McCartney” deixou nas sombras por décadas a real participação dos componentes de uma das mais famosas parcerias do mundo em algumas de suas músicas. A controvérsia ganhou um novo elemento recentemente: pesquisadores das universidades Harvard (EUA) e Dalhousie (Canadá) elaboraram um algoritmo de aprendizagem de máquina para identificar as “impressões digitais” de John Lennon e Paul McCartney e o aplicaram durante três anos em oito faixas cuja origem é discutida.

Os resultados desse uso da inteligência artificial estão no artigo “(A) Data in the Life”, publicado na semana passada no periódico “Harvard Data Science Review” e abordado no jornal “The Independent”. Eles se referem a oito canções (ou fragmentos delas) compostas entre 1962 e 1966.

Uma delas, “In My Life”, classificada pela revista de música “Rolling Stone” em 2011 como a 23ª maior música de todos os tempos, “acumulou a maior quantidade de especulação sobre seu verdadeiro autor”, segundo os pesquisadores. Não há muita dúvida de que John Lennon escreveu a letra. Já Paul McCartney disse que a música toda era sua, uma afirmação com a qual Lennon discordava.

 

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O algoritmo informou com 81,1% de certeza que Lennon escreveu os versos. Já a influência de McCartney na ponte (seção ou interlúdio que liga duas partes de uma canção) apareceu com 57% de certeza. Os números reforçam a versão de Lennon de que Paul contribuiu para a melodia do meio da canção.

“Decompondo a música na letra e na ponte de forma separada, é aparente que a letra é muito mais consistente em termos estilísticos com as letras de canções de Lennon”, escreveram os autores.

 

Complexidade maior

Já canções como “Baby’s in Black”, “The Word” e “From Me to You” foram identificadas como criação de McCartney com 97% de certeza.

Segundo o estudo de Harvard, McCartney “tendia a usar motivos musicais mais fora do padrão” em suas composições, nas quais uma maior complexidade aparece como uma “característica distintiva”.

O sistema relacionado ao algoritmo permite um estudo da forma como as influências de cada músico mudam com o tempo, bem como a natureza colaborativa da escrita de canções na música popular.

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