Altar de santuário bíblico tinha cannabis e franquincenso

Para pesquisadores, a cannabis tinha como finalidade provável estimular o êxtase entre os fiéis durante o culto

Local da descoberta do santuário em Tel Arad, no vale de Beersheba. Crédito: Chamberi/Wikimedia

O material encontrado em dois altares da Idade do Ferro descobertos na entrada do “Santíssimo Lugar” de um santuário em Tel Arad, no vale de Beersheba (Bersebá), em Israel, contém cannabis (maconha) e olíbano (franquincenso, resina usada na fabricação de incensos), de acordo com artigo publicado na revista “Tel Aviv”.

Escavações anteriores revelaram a existência de duas fortalezas sobrepostas, datadas do século 9 a.C. ao início do século 6 a.C., que guardavam a fronteira sul do reino bíblico de Judá. Descobertas altamente importantes da Idade do Ferro foram desenterradas, incluindo um santuário bem preservado, datado de aproximadamente 750-715 a.C.

Dois altares de pedra calcária (o menor com 40 cm de altura e cerca de 20 × 20 cm no topo; o maior, com cerca de 50 cm de altura e 30 × 30 cm no topo) foram encontrados na entrada do “Santíssimo Lugar” do santuário. Ambos tinham um papel importante nas práticas de culto do santuário.

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Um material orgânico solidificado preto foi preservado nas superfícies dos altares. Análises anteriores desses materiais não haviam identificado seu conteúdo. O material escuro foi recentemente submetido à análise de resíduos orgânicos por métodos modernos.

Vista frontal do santuário de Arad, reconstruído no Museu de Israel. Nos destaques dos altares é possível ver o resíduo preto da cannabis e do franquincenso. Crédito: © Museu de Israel, Laura Lachman/Coleção da Autoridade de Antiguidades de Israel
Papel central

O estudo revelou que, no altar menor, a cannabis foi misturada com esterco animal para facilitar o aquecimento. Já o altar maior continha traços de olíbano, misturados a gordura animal para promover a evaporação.

Essas descobertas lançam uma nova luz sobre as práticas de culto na Judá bíblica. Os pesquisadores sugerem que a maconha era usada ali como um psicoativo destinado a estimular o êxtase como parte das cerimônias religiosas.

O principal autor do artigo, Eran Arie, do Museu de Israel em Jerusalém, comentou: “Esta é a primeira vez que a maconha é identificada no antigo Oriente Próximo; seu uso no santuário deve ter desempenhado um papel central nos ritos cultuais realizados lá”.

O olíbano vem da Arábia. Portanto, a presença de olíbano em Arad indica a participação de Judá no comércio do sul da Arábia, mesmo antes do patrocínio e encorajamento do império assírio. Arad fornece a evidência mais antiga de olíbano em um contexto claro de culto. O olíbano é mencionado como um componente do incenso que era queimado no templo de Jerusalém por seu aroma agradável.

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