Você pode até não saber, mas deve ter conversado recentemente com um robô. Não aqueles dos filmes de ficção científica, que falam com uma voz metálica, mas com um chatbot, programa que utiliza os recursos de inteligência artificial para interagir com os humanos de forma cada vez mais natural, seja por texto, seja por voz.

De acordo com a consultoria americana Grand View Research,­ esse setor tem crescido anualmente a uma taxa de quase 25% ao ano. Para 2025, sua estimativa é de que ele movimente US$ 1,23 bilhão. Já o instituto de pesquisas britânico Juniper Research destaca as reduções de custos para as empresas que essa tecnologia deve proporcionar nos próximos anos: nada menos do que US$ 8 bilhões por ano em 2022.

Essa tecnologia, que teve seus primeiros experimentos na década de 1960, evoluiu muito nos últimos anos, transformou-se em uma alternativa para melhorar a experiência do usuário e agora está presente nas mais diferentes aplicações, seja em sites, aplicativos ou em redes sociais, como o Facebook. Hoje, eles já tiram dúvidas do consumidor sobre vinhos, encaminham pedidos de pizza, permitem reservar um quarto de hotel, informam a previsão do tempo, tiram dúvidas de correntistas e até ajudam corretores de imóveis a aumentar o volume de vendas – caso do Chatbox, ferramenta desenvolvida no Brasil.

Como isso funciona? Vamos pegar o exemplo do robô para venda de imóveis.

Ao adotar ferramentas de atendimento virtual, é possível utilizar o chatbot para pré-qualificar os clientes. O atendente virtual entrevista previamente o possível comprador e consegue, graças ao recurso de inteligência artificial, entender sua intenção de compra e direcioná-lo, então, ao corretor. O resultado é que a conversão entre “lead” e venda, quando pré-atendida pelo robô, chega a uma taxa oito vezes maior.

Essa tecnologia tem um grande potencial, mas precisa superar alguns desafios para se tornar cada vez mais presente e manter o seu forte ritmo de crescimento. Em primeiro lugar, é preciso desenvolver chatbots que aprimorem cada vez mais sua capacidade de aprender com o usuário, conhecendo seus hábitos, entendendo suas demandas e melhorando sua interação.

Também é preciso que haja uma profunda integração com a base de dados das empresas, que o robô “converse” com o CRM (sigla em inglês de Gestão do Relacionamento com Clientes) da companhia, para utilizar todo esse volume de informação já adquirida. E, como toda tecnologia em ascensão, é necessário um forte investimento das empresas em segurança, para que os clientes tenham confiança na hora de fornecer seus dados.

O uso dos serviços de chatbot está apenas começando, mas suas possibilidades são quase ilimitadas. Com certeza, ainda vamos conversar muito com robôs…

* Rafael Meireles Yoshioka é CEO da Hypnobox, empresa que oferece soluções e serviços para o mercado imobiliário destinadas a aumentar a produtividade e a eficiência no processo de vendas