Ancestral humano desconhecido deixou pegadas estranhas na África

Hominídeo que fez as pegadas há 3,6 milhões de anos tinha um esquisito passo cruzado

Marcas deixadas pelas passadas, quando fossilizadas, também são ferramenta de estudo dos arqueólogos. Crédito: chezbeate/Pixabay

Uma equipe internacional de pesquisadores que reanalisaram pegadas fósseis encontradas em Laetoli, no norte da Tanzânia, concluiu que um ancestral dos humanos modernos pode ter andado sobre duas pernas há cerca de 3,6 milhões de anos, com um estranho passo cruzado. Suas descobertas, relatadas em artigo publicado na revista Nature, oferecem novos conhecimentos sobre as origens do bipedalismo.

Na década de 1970, cinco pegadas consecutivas descobertas no local de Laetoli forneceram as primeiras evidências definitivas de bipedalismo em hominídeos. Essas impressões foram propostas como tendo sido feitas pelo Australopithecus afarensis – a mesma espécie do famoso esqueleto “Lucy”.

Outras pegadas, descobertas ao mesmo tempo e posteriormente cobertas, geraram debate. Alguns pensaram que eram feitas por um urso andando nas patas traseiras; outros, que foram deixadas por um tipo diferente de hominídeo.

Diversidade subestimada

Em 2019, Ellison McNutt, do Ohio University Heritage College of Medicine (EUA), e seus colegas escavaram novamente essas pegadas de formato incomum. A equipe as comparou com impressões feitas por ursos, chimpanzés e humanos, e descobriu que eram mais semelhantes às feitas por hominídeos do que por ursos.

Análises de vídeo do comportamento do urso-negro americano selvagem revelam que o animal quase nunca anda sobre as patas traseiras. Os autores também observam que, embora milhares de fósseis de animais tenham sido encontrados em Laetoli, nenhum é de ursos.

Eles concluíram que as pegadas foram deixadas por um hominídeo ainda não identificado que andava com passos cruzados incomuns. Cada pé cruza a linha média do corpo para tocar na frente do outro pé.

Essas descobertas são parte de um crescente corpo de evidências que sugere que havia uma diversidade subestimada de hominídeos nesse período.

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