Animais marinhos morrem cada vez mais por causa do lixo plástico

Baleia cachalote morta por lixo plástico na Sicília (Crédito: Greenpeace Itália)

As evidências são inquestionáveis: cada vez mais animais marinhos de diferentes partes do mundo são encontrados mortos por ingerirem o lixo humano que chega aos mares e oceanos, principalmente de material plástico.

No último mês dois golfinhos do gênero Tursiops deram o alerta na Flórida (EUA). Em abril, uma fêmea achada nas areias de Fort Myers Beach tinha dois sacos de plástico e um fragmento de balão no estômago, segundo o Instituto de Pesquisa de Peixes e Animais Selvagens da Comissão de Conservação da Vida Selvagem do Estado.

Hoje a necrópsia de um macho morto na mesma praia retirou de seu estômago dois metros de uma mangueira de plástico de 24 polegadas – com bocal e braçadeira de metal – que parece ser um equipamento de camping.

Golfinho encontrado morto na Flórida… (Crédito: Especial para o News-Press)
com 2m de mangueira em seu estômago (Crédito: Especial para o News-Press)

Já a milhares de quilômetros dali, na Itália, o Greenpeace informou que a carcaça de uma baleia cachalote encontrada na praia de Cefalu, um destino turístico popular na Sicília, na sexta-feira. No Facebook o grupo ambientalista divulgou imagens sombrias da baleia morta deitada na praia com o estômago cheio de sacos e outros objetos plástico.

“Estas são as lulas que a baleia comeu – e isso é tudo plástico”, narra no vídeo Carmelo Isgro, que trabalha no museu de história natural da Universidade de Messina. “O plástico provavelmente criou um bloco que não deixou a comida entrar. É muito provável que seja a causa da morte. Não encontramos sinais que possam indicar outra possível razão.” Ele acrescentou que a baleia era uma fêmea e ela era tão jovem que “seus dentes ainda não saíram”. Estima-se que o animal tinha sete anos, nem 10% do que as cachalotes geralmente vivem – 70 a 80 anos.

Em abril, foi a vez de uma cachalote grávida de oito metros de comprimento, morta na Sardenha com 22 quilos de plástico no estômago. Outros três casos ocorreram na Itália nos três meses anteriores.

Diante das reincidências, no final deste mês, o Greenpeace e outro grupo, o Blue Dream Project, iniciarão um projeto para monitorar os níveis de poluição de plástico no mar por três semanas, com um foco particular no Mar Tirreno, costa oeste da Itália.

A divulgação de episódios como esses pretende conscientizar as pessoas sobre a responsabilidade de cada diante desse problema mundial.