Antes de cavalos, sumérios criavam híbridos de burro para a guerra

A partir de sequenciamento genético, descobriu-se que os equídeos usados em batalhas pelos sumérios há 4.500 anos eram um cruzamento de burros domésticos com selvagens

Umm el-Marra (norte da Síria) é um complexo funerário principesco de 4.500 anos. Vários equídeos foram encontrados no local, enterrados em suas próprias instalações. Crédito: © Glenn Schwartz/Universidade Johns Hopkins

A iconografia de 4.500 anos e os textos da Mesopotâmia mostram que a elite da região usava equídeos para viagens e guerras. Mas a natureza desses animais permanecia misteriosa. Uma equipe internacional usou DNA antigo para mostrar que esses animais eram resultado do cruzamento de burros domésticos com burros selvagens. Isso os torna o exemplo mais antigo conhecido de híbridos de animais, que foram produzidos por sociedades siro-mesopotâmicas 500 anos antes da chegada dos cavalos domésticos à região.

O trabalho foi publicado na revista Science Advances.

Os equídeos desempenharam um papel fundamental na evolução da guerra ao longo da história. Embora os cavalos domesticados não tenham aparecido no Crescente Fértil até cerca de 4 mil anos atrás, os sumérios já usavam carros de guerra de quatro rodas no campo de batalha há séculos. Isso está evidenciado no famoso “Padrão de Ur” (abaixo), um mosaico sumério de 4.500 anos de idade. Tabuletas de argila cuneiforme desse período também mencionam um tipo de equídeo de prestígio e alto valor de mercado chamado kunga. No entanto, a natureza precisa desse animal vinha sendo objeto de controvérsia há décadas.

O “painel de guerra” do “Padrão de Ur”, exposto no Museu Britânico, Londres. Crédito: © Thierry Grange/IJM/CNRS-Universidade de Paris
Comparações de genoma

Uma equipe de paleogeneticistas internacionais liderados por E. Andrew Bennett, do Instituto Jacques Monod (CNRS/Universidade de Paris), abordou essa questão estudando os genomas de equídeos do complexo funerário principesco de Umm el-Marra (norte da Síria), datado de 4.500 anos. Com base em critérios morfológicos e arqueológicos, esses animais , enterrados em instalações separadas, foram aventados como os prestigiosos kungas por um arqueozoólogo dos Estados Unidos.

Embora degradado, o genoma desses animais podia ser comparado ao de outros equídeos: cavalos, burros domésticos e burros selvagens da família hemione (nativos da Síria), especialmente sequenciados para o estudo. Este último inclui os restos de um equídeo de 11 mil anos do templo mais antigo conhecido, Göbekli Tepe (sudeste da atual Turquia), e os últimos representantes de burros selvagens sírios, que desapareceram no início do século 20.

De acordo com as análises, os equídeos de Umm el-Marra são híbridos de primeira geração resultantes do cruzamento de um burro doméstico e um hemione macho. Como os kungas eram estéreis e as hemiones eram selvagens, era necessário a cada vez cruzar uma fêmea doméstica com um hemione previamente capturado (captura representada em um baixo-relevo assírio de Nínive visto no alto).

Em vez de domesticarem os cavalos selvagens que povoavam a região, os sumérios produziam e usavam híbridos, combinando as qualidades dos dois pais para produzir descendentes mais fortes e mais rápidos que os burros (e muito mais rápidos que os cavalos), mas mais controláveis ​​que os hemiones. Esses kungas acabaram sendo suplantados pela chegada do cavalo doméstico, mais fácil de reproduzir, quando foi importado para a região da Estepe Pôntica (estepe que vai do norte do Mar Negro até o leste do Mar Cáspio).

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