Aparelho gera energia e purifica água ao mesmo tempo

A criação da universidade saudita poderá ser útil em regiões áridas como o Leste da África (acima). Foto: FAO

Dispositivo que aproveita excedente de energia para destilar água é opção para regiões que enfrentam escassez do líquido

 

Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia King Abdullah, na Arábia Saudita, anunciaram em artigo publicado na revista “Nature Communications” que construíram um artefato que simultaneamente produz eletricidade a partir da luz do sol e purifica a água. A novidade”, abordada no jornal “The Guardian”, é uma opção valiosa não só para gerar energia, mas também para mais de 780 milhões de pessoas que vivem em regiões ensolaradas do mundo e não têm acesso básico à água potável.

No topo, o dispositivo possui uma placa solar de silício. Abaixo dela estão dispostas três camadas através das quais corre água superficial salina, salobra ou contaminada.

O calor residual da célula solar aquece a água salina que passa imediatamente abaixo dela. Com isso, a água evapora, passa por uma membrana e se condensa para produzir água potável, enquanto o calor liberado na operação aquece a água salina no nível abaixo, dando início ao processo no nível seguinte. A água purificada que sai do dispositivo pode então ser coletada.

Segundo os pesquisadores, o aparelho consegue purificar água salgada e água do mar contaminada com metais pesados. Ele também produziu água limpa a partir da água do mar a uma taxa maior do que os destiladores solares convencionais. A eficiência energética da célula solar obtida em condições de dia claro com céu aberto foi de cerca de 11%, taxa compatível com o que se poderia esperar.

Peng Wang, professor de Engenharia e Ciência Ambiental e coautor da pesquisa, lembrou no artigo a importância social da invenção para as centenas de milhões de pessoas sem acesso à água potável. “(Elas) passam 200 milhões de horas coletivas por dia buscando água de fontes distantes”, observou. A equipe trabalha na ampliação do dispositivo e na redução de custos, mas está otimista quanto aos resultados e espera ter um aparelho em condições comerciais em cinco anos.