Aprendizado de máquina descobre chave do êxito em relação romântica

Qualidades individuais importam, mas ficam em segundo plano diante de aspectos como o nível de comprometimento dos parceiros com o relacionamento

A satisfação no relacionamento não é bem explicada pelas características autorreferidas pelo parceiro, dizem os pesquisadores. Crédito: Piqsels

O elemento de previsão mais confiável em termos do sucesso de um relacionamento é a crença dos parceiros de que a outra pessoa está totalmente comprometida, descobriu uma equipe internacional de pesquisadores liderada pela Universidade de Ontário Ocidental, do Canadá. Seu estudo foi divulgado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)”.

Outros fatores importantes em um relacionamento bem-sucedido incluem sentir-se próximo, apreciado e sexualmente satisfeito com seu parceiro. Esse trabalho é a primeira tentativa sistemática de usar algoritmos de aprendizado de máquina para prever a satisfação no relacionamento das pessoas.

“A satisfação com os relacionamentos românticos tem implicações importantes para a saúde, o bem-estar e a produtividade no trabalho”, disse Samantha Joel, professora de psicologia da Universidade de Ontário Ocidental. “Mas a pesquisa sobre previsores da qualidade do relacionamento geralmente é limitada em escopo e escala e é realizada separadamente em laboratórios individuais”.

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O estudo foi realizado por Joel, Paul Eastwick (da Universidade da Califórnia em Davis) e 84 outros pesquisadores de todo o mundo. Foram investigados nele mais de 11 mil casais e 43 conjuntos de dados autorrelatados distintos sobre casais românticos. A pesquisa fornece respostas provisórias para a eterna pergunta: “O que prevê se ficarei feliz com meu parceiro de relacionamento?”

Previsores confiáveis

Joel usou o aprendizado de máquina, uma aplicação de inteligência artificial (IA), para vasculhar vastas combinações de indicadores a fim de encontrar os previsores mais robustos e confiáveis ​​de satisfação no relacionamento.

Segundo o estudo, previsores específicos de relacionamento como “comprometimento percebido do parceiro”, “apreço” e “satisfação sexual” representam quase metade da variação na qualidade do relacionamento.

Características individuais, que descrevem um parceiro em vez de um relacionamento, explicam 21% da variação na qualidade da relação. As cinco principais características individuais com maior poder preditivo para a qualidade do relacionamento são “satisfação com a vida”, “afeto negativo”, “depressão”, “apego evitado” e “apego ansioso”.

“As variáveis ​​específicas dos relacionamentos foram duas a três vezes mais preditivas que as diferenças individuais. Acho que isso se encaixaria nas intuições de muitas pessoas”, disse Joel. “Mas a parte surpreendente é que, depois de ter todos os dados específicos do relacionamento em mãos, as diferenças individuais desaparecem em segundo plano.”

Moldagem de processos

Em termos de modelagem-simulação, as diferenças individuais não pareciam regular ou moderar as variáveis ​​específicas do relacionamento.

“’Quem eu sou’ realmente não importa quando sei ‘quem eu sou quando estou com você’”, disse Eastwick.

O estudo mostrou que os previsores de diferenças individuais de um parceiro (como satisfação com a vida, depressão ou afabilidade) explicaram apenas 5% da variação na satisfação no relacionamento do outro parceiro. “Em outras palavras, a satisfação no relacionamento não é bem explicada pelas características autorreferidas pelo seu parceiro”, surpreendeu-se Joel.

No entanto, isso não significa necessariamente que a escolha de um parceiro romântico por uma pessoa não seja importante. “Os parceiros podem ajudar a moldar os processos específicos do relacionamento – como conflito, intimidade e comprometimento percebido do parceiro – que parecem ser muito importantes para a manutenção do relacionamento”, acrescentou Joel.

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