Arraia-jamanta ingere até 63 pedaços de plástico por hora

Estudo feito em águas da Indonésia reforça a gravidade do problema do plástico nos mares do mundo

Arraia-jamanta nada em meio a lixo marinho repleto de plástico na Indonésia: risco para a sobrevivência desses animais. Crédito: Elitza Germanov/Marine Megafauna Foundation

Mais de um milhão de toneladas de plástico entram nos mares da Indonésia a cada ano, e boa parte disso aparece na forma de microplástico, que já integra a dieta de animais marinhos daquela parte do globo. As arraias-jamanta, por exemplo, podem ingerir até 63 pedaços de plástico por hora enquanto se alimentam nas águas de Nusa Penida (ilha na costa sudeste de Bali) e do Parque Nacional de Komodo, dizem biólogos marinhos. No caso dos tubarões-baleia, que se agregam sazonalmente no leste da ilha de Java, o consumo pode ser de até 137 pedaços por hora.

O estudo a esse respeito, realizado por pesquisadores da Marine Megafauna Foundation (EUA), da Universidade Murdoch (Austrália) e da Universidade Udayana (Indonésia), foi publicado na revista “Frontiers in Marine Science”.

Como as arraias-jamanta e os tubarões-baleia passam muito tempo alimentando-se em águas superficiais costeiras onde o lixo geralmente se agrega, os pesquisadores usaram uma rede de plâncton para arrastar plásticos nos 50 centímetros superiores da coluna d’água. Mais da metade do material coletado eram filmes finos e flexíveis de sacos e embalagens descartáveis, assim como fragmentos duros. Cerca de 80% eram microplásticos com menos de cinco milímetros.

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Absorção de toxinas

Os pesquisadores também analisaram as fezes e o vômito das arraias-jamanta, e o resultado foi positivo para os plásticos. Isso significa que os plásticos são facilmente ingeridos por animais filtradores (entre eles as arraias-jamanta e os tubarões-baleia) e provavelmente expõem esses animais a produtos químicos e poluentes tóxicos encontrados nos plásticos enquanto estão no sistema digestivo.

“Os microplásticos absorvem toxinas do meio ambiente e as concentram em níveis muito mais altos do que nas águas circundantes. Uma vez que esses plásticos tóxicos são ingeridos por animais filtradores, as toxinas podem se acumular em seu corpo”, diz Elitza Germanov, da Universidade Murdoch e da Marine Megafauna Foundation, principal autora do estudo.

A pesquisa revelou ainda que a abundância de plástico era até 44 vezes maior durante a estação chuvosa. O maior efeito sazonal foi observado em Nusa Penida.