Arte cósmica na Galáxia do Redemoinho

Conforme o comprimento de onda usado, detalhes diferentes surgem. Fotos: Nasa/JPL-Caltech

Colocadas lado a lado à maneira do que o artista americano Andy Warhol fez com Marilyn Monroe e Che Guevara, por exemplo, essas quatro imagens da galáxia Messier 51 ou NGC 5194/5195 – também conhecida como Galáxia do Redemoinho – obtidas pela Nasa (agência espacial americana) mostram, observa uma análise publicada na revista “Cosmos”, o belo efeito que um mesmo objeto cósmico pode alcançar quando retratado com diferentes comprimentos de ondas de luz.

Descoberta em 1773 pelo astrônomo francês Charles Messier e situada a cerca de 23 milhões de anos-luz de distância da Terra, na constelação Canes Venatici, a NGC 5194/5195 é, na verdade, um par de galáxias cuja atração gravitacional mútua distorce o formato de cada uma. É a força da gravidade que lhe dá o aspecto espiralado.

A foto mais à esquerda (a) mostra a galáxia na luz visível. Tirada com o telescópio de 2,1 metros do Observatório Nacional de Kitt Peak, no Arizona (EUA), mostra a luz em 0,4 mícron, ou micrômetro (azul), e 0,7 mícron (verde).

A foto seguinte (b) combina dois comprimentos de onda de luz visível (azul e verde) e infravermelho (vermelho). O infravermelho foi capturado pelo Telescópio Espacial Spitzer da Nasa e ressalta como as linhas escuras de poeira que bloqueiam nossa visão na luz visível começam a se iluminar nesses comprimentos de onda infravermelhos mais longos.

As duas últimas fotos são compostas integralmente por dados obtidos pelo Spitzer. A penúltima (c) mostra três comprimentos de onda de luz infravermelha: 3,6 mícrons (azul), 4,5 mícrons (verde) e oito mícrons (vermelho).

A luz misturada dos bilhões de estrelas na NGC 5194/5195 é mais brilhante nos comprimentos de onda mais curtos do infravermelho e aparece como uma neblina azul. Os pontos azuis individuais na imagem são principalmente estrelas próximas e algumas galáxias distantes. Características em vermelho (a oito mícrons) correspondem a poeira composta sobretudo pelo carbono que é iluminado pelas estrelas da galáxia.

A última foto (d) expande a visão em infravermelho para incluir luz em um comprimento de onda de 24 mícrons (vermelho). Isso destaca áreas onde a poeira é especialmente quente. As manchas branco-avermelhadas brilhantes traçam regiões onde novas estrelas estão se formando e, no processo, aquecendo seus arredores.