Artrópodes “pegaram carona” para se espalhar há milhões de anos

Âmbar encontrado na República Dominicana mostra esses pequenos animais agarrados às pernas de um cupim alado

Artrópodes agarrados às pernas e próximos a um cupim alado: disseminação por carona. Crédito: N. Robin, C. D’Haese & P. Barden

Um enigma persistente foi agora solucionado: os pequenos e rastejantes moradores do solo que se disseminaram pelo mundo durante o início do período Mioceno (entre aproximadamente 24 milhões de anos e 5 milhões de anos atrás) usavam carona para se locomover a grandes distâncias. Uma evidência disso, encontrada em âmbar na República Dominicana, é abordada por cientistas americanos e franceses em um artigo na revista “BMC Evolutionary Biology”.

O fóssil encontrado revela uma série de pequenos artrópodes chamados colêmbolos (Collembola) ainda presos às asas e pernas de um grande cupim alado, enquanto outros são preservados como se gradualmente flutuassem para longe do hospedeiro.

No artigo publicado, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Nova Jersey (NJIT, na sigla em inglês) e do Museu Nacional de História Natural, da França, afirmam que a descoberta destaca a existência de um novo tipo de comportamento de carona entre os artrópodes sem asas que habitam o solo. Isso também poderia ajudar a explicar como espécimes de Symphypleona (um dos três principais grupos dos Collembola) conseguiram dispersar-se com sucesso pelo mundo.

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Problemas em áreas secas

“A existência desse comportamento de carona é especialmente emocionante, dado o fato de que os Symphypleona modernos raramente são descritos como tendo alguma associação interespecífica com os animais vizinhos”, afirma Ninon Robin, do NJIT, primeira autora do artigo.

Os Symphypleona estão entre os artrópodes mais comuns encontrados em habitats úmidos no planeta. A maioria deles usa um apêndice especial embaixo do abdômen para “saltar” para longe e, assim, evitar a predação. Mas, segundo os pesquisadores, esse órgão não é suficiente para percorrer longas distâncias, sobretudo porque a maioria dos Symphypleona é incapaz de sobreviver por muito tempo em áreas secas.