As empresas e a educação ambiental

*Luís Carlos Gouveia é diretor do Instituto EDP, vinculado à EDP Energias de Portugal S.A. (Foto: Divulgação / Charles Trigueiro)

Diante de uma década que promete ser de crucial importância para as ações de preservação do meio ambiente, a formação de cidadãos conscientes sobre a urgência do desenvolvimento de uma sociedade mais sustentável deixou de ser uma questão acessória e se tornou uma necessidade. As escolas cada vez mais se voltam para as questões ambientais e inserem na grade curricular dos alunos temas relacionados ao uso apropriado dos recursos naturais. O amplo acesso à educação ambiental começa a tomar forma.

No entanto, ainda são poucas as empresas que entendem que podem auxiliar e ser protagonistas, junto aos educadores, no ensino das práticas sustentáveis. O setor privado, que desde a década de 1970 passou a valorizar e apoiar as questões ambientais, continua a olhar de maneira parcial para o seu próprio potencial como formador de uma geração de crianças, jovens e adultos engajados na busca pela sustentabilidade. Os programas e atividades sociais e educacionais que incluem o meio ambiente e mostram a sua vital importância para as pessoas são formas bem eficazes de promover o ensino sobre sustentabilidade.

Um exemplo muito claro é a formação de professores para compartilhar em sala de aula o conhecimento sobre o uso consciente dos recursos naturais e a preservação ambiental. Iniciativas do tipo podem ser estimuladas em parcerias com escolas públicas e prefeituras, de forma que a companhia, além de auxiliar o desenvolvimento pedagógico das crianças nas regiões onde atua, possa também inserir a educação ambiental no rol de assuntos trabalhados junto aos alunos.

No entanto, não é só no ensino básico que há oportunidades para a disseminação dos conceitos da sustentabilidade. Para empresas que têm atuação próxima a regiões rurais, a conscientização de produtores sobre técnicas de recuperação de nascentes é uma iniciativa que muda vidas e que pode ser desenvolvida em parceria com organizações locais. A sensibilização de agricultores a respeito da exploração consciente das nascentes de rios torna-se uma fonte de qualidade de vida para as próprias famílias.

A criação de hortas comunitárias em áreas da empresa que são subutilizadas também é uma excelente ação para proporcionar acesso à alimentação e qualidade de renda para famílias em situação de vulnerabilidade. As hortas permitem que os moradores de comunidades na região complementem a sua renda com a venda dos produtos, além de consumi-los. As famílias participantes podem ainda ser capacitadas em produção orgânica de alimentos, de maneira a contribuir para o meio ambiente da região. Existe ainda a opção de promover junto aos seus colaboradores ações de voluntariado, como limpeza de praias.

Além de desenvolver as capacidades socioemocionais dos colaboradores, iniciativas que reúnem voluntários para a realização de práticas sustentáveis tendem a reforçar os conceitos de preservação do meio ambiente dentro da companhia. Portanto, há diversas oportunidades para utilizar as capacidades de uma empresa de forma a estimular processos educacionais destinados à preservação do meio ambiente, seja com adultos ou crianças. A educação ambiental ainda é um desafio, mas o setor privado, com o dever de promover o desenvolvimento de um mundo mais sustentável, possuem meios para ajudar nesse processo. Em conjunto, o estado, o mercado e a sociedade civil têm a capacidade de disseminar a consciência ambiental por todo o planeta.

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