As línguas no ciberespaço: o inglês perde fôlego

Participação relativa do inglês no ciberespaço encolheu para cerca de 30%, enquanto francês, alemão, espanhol e mandarim passaram a integrar o grupo das dez principais línguas online

Línguas usadas na internet: inglês agora está associado a uma elite linguística online. Crédito: Pikrepo

Até o final deste século, cerca de metade das aproximadamente 7 mil línguas faladas atualmente no mundo podem desaparecer, segundo um relatório produzido pela Unesco denominado World Report of Languages: Towards a Global Assessment Framework for Linguistic Diversity (Relatório mundial de línguas: rumo a um marco mundial de avaliação para a diversidade linguística, em tradução livre), lançado em maio de 2021.

A internet, que é agora a principal forma de compartilhar informações, tem um papel essencial a desempenhar na promoção do multilinguismo. Nessa área, a situação mudou consideravelmente.

Outrora dominante na internet, o inglês agora representa apenas uma língua pertencente a uma elite linguística online. A participação relativa do inglês no ciberespaço encolheu para cerca de 30%, enquanto o francês, o alemão, o espanhol e o mandarim passaram a fazer parte do grupo das dez principais línguas online.

Ascensão meteórica

Algumas delas tiveram uma ascensão meteórica – o mandarim, por exemplo, cresceu mais de 1.200% entre os anos de 2000 e 2010. O acesso a dispositivos e fontes não é a única questão. As estimativas indicam que quase 43% das línguas e dialetos do mundo não são escritos – o que representa outro desafio para a forma como poderiam se adequar no mundo online, muitas vezes fundamentado em textos.

O Relatório Mundial e a plataforma online que o acompanha, o Atlas Mundial de Línguas (World Atlas of Languages – WAL), apresentam uma nova e detalhada avaliação sobre a diversidade linguística mundial. A plataforma online constitui um banco de dados abrangente de todas as línguas do mundo – incluindo línguas de sinais –, que pode ser consultado por instituições educacionais e científicas, bibliotecas, arquivos e pelo público em geral.

LEIA MAIS:

Línguas e conhecimentos indígenas (IYIL 2019), O Correio da Unesco jan./mar. 2019

Endangered languages, endangered thought, The Unesco Courier, Feb. 2009

Languages matter, The Unesco Courier, Jan. 2008

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