As linhas do Cazaquistão

Fotografias divulgadas pela Nasa revelam estruturas misteriosas encontradas no solo da Ásia Central, feitas há milhares de anos e cujos desenhos, tal como acontece em Nazca, fazem sentido apenas quando observados do alto

Cada linha das figuras tem cerca de 12 metros de largura

O Cazaquistão, país da Ásia Central que integrava a antiga União Soviética, também tem suas­ linhas de Nazca – as misteriosas figuras desenhadas no deserto peruano cujos significados são compreendidos apenas se vistas a partir de certa altitude. A Nasa, a agência espacial americana, tornou-as conhecidas mundialmente ao divulgar, no fim de outubro, fotos feitas por satélite de algumas dessas estruturas.

As figuras cazaques, denominadas Geoglifos da Estepe ou de Turgai (a região de planície no norte do país onde elas estão localizadas), foram descobertas em 2007 por um economista e arqueólogo amador nativo, Dmitryi Dey. Depois de assistir a um programa de tevê sobre pirâmides, ele decidiu procurar no Google Earth se havia algo parecido em seu país. Em vez de descobrir pirâmides, Dey encontrou centenas de estruturas no solo, cujo desenho é visível a partir de cerca de 700 quilômetros de altitude. Há cerca de 260 delas, feitas com montes de terra erigidos de modo a reproduzir figuras como cruzes, círculos, quadrados e suásticas.

Originariamente, as linhas desses geoglifos tinham entre 1,8 metro e 3 metros de altura e cerca de 12 metros de largura; hoje, a altura caiu para algo em torno de 90 centímetros. A mais antiga dessas figuras tem aproximadamente 8 mil anos de idade. Até hoje, o Cazaquistão nada fez nada para investigar o achado. Mas as figuras atraíram a atenção do epidemiologista americano Ronald LaPorte, que pesquisava doenças no país em 2014, e ele e Dey procuraram então o auxílio da Nasa. A agência se interessou pelo caso e, no fim de outubro, divulgou fotos da área, a fim de catalogar os geoglifos e estudá-los.

A planície de Turgai guarda resquícios da presença da tribo mahandzhar, de caçadores-coletores, durante a Idade da Pedra. Mas esse povo, pelo que se conhece hoje, não teria tempo nem organização suficientes para produzir tais estruturas. “A ideia de que coletores poderiam reunir o número de pessoas necessárias para realizar projetos de grande escala, como a criação dos geoglifos do Cazaquistão, tem levado os arqueólogos a repensar profundamente a natureza e o momento de organizações humanas sofisticadas de grande escala como algo que antecede sociedades civilizadas e assentadas”, declarou a arqueóloga canadense Persis Clarkson, da Universidade de Winnipeg (Canadá), que é especializada no estudo de geoglifos.

Ainda não se tem noção do objetivo dos autores ao construírem essas estruturas – se elas eram simples obras de arte ou se teriam um propósito maior. Uma ideia que sempre surge em trabalhos do gênero é a de que eles serviriam como observatórios astronômicos Outros especulam a respeito de uma possível ligação dos geoglifos com os nazistas, por causa das suás­ticas encontradas entre as figuras. Essa sugestão, porém, não tem prosperado, já que a suástica era um símbolo conhecido por povos da Ásia Central muito antes do surgimento do nazismo. Outra hipótese sempre lembrada nessas ocasiões é a da autoria de seres extraterrestres. A divulgação das fotos pela Nasa em outubro é uma etapa na busca por explicações mais precisas.

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