As nuvens que iluminam a noite

Nuvens noctilucentes sobre o hemisfério norte em 12 de junho, com o Polo Norte ao centro: luz em meio à escuridão. Imagem: J. Stevens/Nasa/Universidade do Colorado

Entre o fim de maio e o mês de agosto, faixas incomuns de nuvens se formam a grandes alturas na atmosfera, em torno do pôr do sol, nas altas latitudes do hemisfério norte (em geral entre 50 ° e 65 ° norte). Em alguns dias, essas nuvens são visíveis até mesmo em latitudes médias. Esse é o caso, lembra o site Earth Observatory, da Nasa, do mês de junho deste ano, com o fenômeno se estendendo para o sul.

Para ilustrar a ocorrência, o site exibe hoje duas imagens. A primeira, obtida por satélite, mostra nuvens noctilucentes, ou “noturnas”, em 12 de junho de 2019. O nome dessas nuvens deriva do fato de elas surgirem no crepúsculo, logo após o pôr do sol. Por flutuarem tão alto na atmosfera, elas ainda são iluminadas pela luz solar, mesmo depois de o Sol ter se posto abaixo do horizonte para o observador que está no nível do solo.

Centrada no Pólo Norte, a imagem se baseia em dados adquiridos pela nave Aeronomy of Ice in the Mesosphere (AIM), da Nasa. O instrumento mede o albedo (a quantidade de luz refletida de volta ao espaço pelas nuvens de alta altitude). O mapa é uma visão composta a partir de várias passagens do satélite. Como referência de localização para os leitores, o norte da América do Norte aparece na parte de baixo da imagem, do centro para a direita.

Conforme a atmosfera inferior da Terra se aquece com a primavera e o verão, a atmosfera superior fica mais fria. No processo, cristais de gelo se acumulam em poeira de meteoros e outras partículas, criando mechas azuis elétricas na borda do espaço, geralmente entre 80 e 85 quilômetros de altitude. No mapa do AIM, nuvens noctilucentes aparecem em vários tons de azul-claro a branco, dependendo da densidade das partículas de gelo.

Desde o lançamento do AIM, em 2007, os pesquisadores descobriram que as nuvens noctilucentes estão aparecendo mais cedo e se estendendo para latitudes mais baixas com maior frequência. Algumas evidências indicam que isso é resultado de alterações na atmosfera, incluindo mais vapor d’água, devido à mudança climática.

Essas nuvens também são mais comuns durante o mínimo solar, a mais baixa vazante de erupções solares e manchas solares no ciclo de atividade de 11 anos do Sol. A baixa atividade solar significa que há um pouco menos de radiação ultravioleta, a qual “quebra” as moléculas de água em grandes altitudes. O Sol está atualmente perto de seu mínimo.

 

Nuvens noctilucentes vistas da cratera Gale, em Marte. Foto: Nasa/JPL-Caltech/MSSS/Thomas Appéré

 

A segunda imagem de nuvens noctilucentes flagradas recentemente, reproduzida hoje pelo Earth Observatory, não é da Terra: foi captada no céu de Marte pelo robô Curiosity em 17 de maio, sobre a cratera Gale.