Asma e alergias são mais comuns em jovens que vão dormir tarde

Estudo revelou que chance de ter asma foi cerca de três vezes maior em adolescentes que preferem dormir mais tarde em comparação com os que vão para a cama mais cedo

Jovens que dormem mais tarde estão mais sujeitos a problemas respiratórios como asma e doenças alérgicas. Crédito: Piqsels

Adolescentes que preferem ficar acordados até tarde e acordar mais tarde pela manhã têm maior probabilidade de sofrer de asma e de alergias do que aqueles que dormem e acordam mais cedo. Essa é a conclusão de um estudo de pesquisadores internacionais publicado na revista “ERJ Open Research”.

Sabe-se que os sintomas da asma estão fortemente ligados ao relógio interno do corpo, mas este é o primeiro estudo a analisar como as preferências individuais do sono influenciam o risco de asma em jovens. Os pesquisadores dizem que seu trabalho reforça a importância do sono para os adolescentes e abre um novo canal de investigação sobre como o sono afeta a saúde respiratória dessa faixa etária.

O estudo foi liderado pelo dr. Subhabrata Moitra, da divisão de medicina pulmonar da Universidade de Alberta (Canadá), que realizou a pesquisa no Instituto de Saúde Global de Barcelona, ​​na Espanha. Ele disse: “A asma e as doenças alérgicas são comuns em crianças e adolescentes em todo o mundo e a prevalência está aumentando. Conhecemos algumas das razões para esse aumento, como a exposição à poluição e à fumaça do tabaco, mas ainda precisamos descobrir mais”.

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“O sono e a melatonina, o ‘hormônio do sono’, influenciam a asma. Portanto, queríamos ver se a preferência dos adolescentes por ficar acordados até tarde ou dormir cedo pode estar envolvida no risco de asma”, acrescentou Moitra.

Tipos noturnos, matinais ou intermediários

A pesquisa envolveu 1.684 adolescentes residentes em Bengala Ocidental, na Índia, com 13 ou 14 anos de idade, que participavam do estudo “Prevalência e Fatores de Risco de Asma e Doenças Relacionadas a Alergias entre Adolescentes” (“PERFORMANCE”, na denominação em inglês).

Cada participante foi questionado sobre chiados, asma ou sintomas de rinite alérgica, como coriza e espirros. Os pesquisadores fizeram uma série de perguntas para avaliar se os participantes eram ‘tipos noturnos’, ‘tipos matinais’ ou intermediários. Entre as questões estavam: a que horas da tarde ou da noite eles tendem a se sentir cansados; quando escolheriam acordar; e o nível de cansaço que sentiam logo ao acordar.

Os pesquisadores compararam os sintomas dos adolescentes com suas preferências de sono, levando em consideração outros fatores que afetam a asma e as alergias, como onde os participantes moram e se os seus familiares fumam. Descobriu-se que a chance de ter asma era cerca de três vezes maior em adolescentes que preferem dormir mais tarde em comparação com aqueles que preferiam dormir mais cedo. Os pesquisadores também notaram que o risco de sofrer rinite alérgica era duas vezes maior nos que dormem mais tarde do que nos que dormem mais cedo.

Moitra acrescentou: “Nossos resultados sugerem que há uma ligação entre o horário de sono preferido, a asma e as alergias em adolescentes. Não podemos ter certeza de que ficar acordado até tarde esteja causando asma, mas sabemos que o hormônio do sono, a melatonina, geralmente está fora de sincronia em pessoas que dormem tarde. Isso pode, por sua vez, influenciar a resposta alérgica dos adolescentes”.

Verificação dos hábitos

“Também sabemos que as crianças e os jovens estão cada vez mais expostos à luz de telefones celulares, tablets e outros dispositivos, e ficam acordados até mais tarde da noite. Pode ser que encorajar os adolescentes a deixar seus aparelhos e dormir um pouco mais cedo ajudaria a diminuir o risco de asma e alergias. Isso é algo que precisamos estudar mais.”

Uma segunda fase do estudo PERFORMANCE está agendada para 2028-29. Isso significa que será possível repetir o estudo com um novo grupo de adolescentes para verificar se houve alguma mudança nos hábitos de sono dos adolescentes e em sua saúde respiratória. Moitra e sua equipe também esperam quantificar suas descobertas fazendo medições objetivas da função pulmonar e do tempo de sono dos participantes.

O professor Thierry Troosters, presidente da Sociedade Respiratória Europeia e que não participou da pesquisa, disse: “Precisamos saber muito mais sobre por que asma e alergias estão aumentando em crianças e adolescentes e, esperançosamente, encontrar maneiras de reduzir essas condições. Este é o primeiro estudo a examinar o possível papel das diferentes preferências de sono no risco de asma e alergias dos adolescentes, e abre uma nova e interessante linha de pesquisa. Já sabemos que dormir bem é importante para a saúde física e mental, então devemos continuar incentivando os adolescentes a ter uma boa noite de sono”.

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