Austrália autoriza retirada de pessoas à força de regiões incendiadas

Expectativa de novos focos de incêndio no sábado deve deslocar cerca de 4 mil moradores das áreas atingidas

Imagem de satélite mostra fumaça sobre as regiões incendiadas do sudeste da Austrália em meados de dezembro. As chamas já atingem o estado de Victoria, ao sul. Crédito: Joshua Stevens, Lauren Dauphin/Nasa/VIIRS/EOSDIS/LANCE/GIBS/Worldview/Suomi/MODIS /Landsat /U.S. Geological Survey

A Austrália autorizou hoje a retirada forçada de moradores dos estados mais devastados pelos incêndios florestais, como Nova Gales do Sul. Os serviços meteorológicos alertam para um novo pico de calor no sábado.

A chefe do governo estadual de Nova Gales do Sul, Gladys Berejiklian, declarou estado de emergência com duração de sete dias para permitir a retirada forçada de pessoas a partir de sexta-feira.

Desde o início da temporada de incêndios, em setembro, esta é a terceira vez que é declarado um estado de emergência na Nova Gales do Sul, o estado mais populoso da Austrália e que abriga a maior metrópole do país, Sydney.

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“Não tomamos esse tipo de decisão de ânimo leve, mas queremos garantir que são tomadas todas as medidas necessárias para nos prepararmos para o que pode ser um sábado horrível”, explicou Gladys Berejiklian.

A declaração foi feita pouco depois de os bombeiros de Nova Gales do Sul terem pedido aos turistas para saírem de uma área costeira de 200 quilômetros de extensão, que abrange a cidade de Batemans Bay (a cerca de 300 km ao sul de Sydney) e se estende até o sul do estado de Victoria.

Número crescente de vítimas

Vários incêndios descontrolados devastaram o sudeste do país na véspera do ano-novo, matando oito pessoas. Foi o dia com maior número de mortes desde o início da crise.

Desde setembro, os incêndios na Austrália já provocaram a morte de pelo menos 18 pessoas, mas o balanço poderá subir, já que as autoridades de Victoria avisaram hoje que há 17 pessoas desaparecidas naquele estado.

Os apelos feitos pelas autoridades são para as pessoas saírem das áreas assinaladas antes de sábado, dia em que se esperam fortes rajadas de vento e temperaturas acima dos 40 °C.

A evacuação da área não turística será “a maior de todos os tempos na região”, disse o ministro dos Transportes da Nova Gales do Sul, Andrew Constance.

Uma longa fila de carros se formou hoje na autoestrada em direção a Sydney. Um dos motoristas disse à agência de notícias AFP que demorou mais de três horas para percorrer apenas 50 quilômetros.

Focos sem controle

O diretor adjunto dos bombeiros, Rob Rogers, admitiu que é impossível, neste momento, apagar ou sequer controlar os incêndios em curso no estado.

“Existem tantos nesta área que não conseguimos conter”, admitiu, acrescentando que, neste momento, o papel dos bombeiros é “apenas garantir que mais ninguém atravesse na frente do fogo”.

Mais de 400 casas foram destruídas nos últimos dias, número que deverá aumentar à medida que os bombeiros conseguem chegar às aldeias mais remotas.

Navios e aviões militares foram enviados, juntamente com equipes de emergência, para fornecer ajuda humanitária e avaliar os danos nas áreas mais remotas.

Dois navios chegaram hoje de manhã à cidade costeira de Mallacoota, onde as pessoas estão, desde terça-feira, refugiadas na praia para fugir das chamas que atingiram a cidade.

Em um primeiro momento, deverão ser retiradas até 4 mil pessoas, mas as operações podem durar várias semanas, segundo as autoridades.

Protestos antigoverno

O comandante da Força de Combate a Incêndios do estado de Victoria, Doug Laidlaw, explicou que as pessoas devem começar a chegar aos navios na sexta-feira de manhã e sublinhou que as crianças, os doentes e os idosos têm prioridade.

Desde o início da temporada de incêndios, mais de 1,3 mil casas foram reduzidas a cinzas e 5,5 milhões de hectares foram destruídos, o que representa uma área maior que a de um país como a Dinamarca ou a Holanda.

A crise provocou protestos para exigir do governo medidas imediatas contra o aquecimento global. Cientistas dizem ser esta a causa destes incêndios.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, que renovou recentemente o seu apoio à indústria de carvão australiana, tem sido amplamente criticado.

 

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