Autismo está ligado a altos níveis de estrogênio no útero

Níveis elevados de estrogênio estão relacionados à manifestação de autismo

Descoberta é um passo importante para se compreender mais sobre a ocorrência do autismo

 

Cientistas britânicos e dinamarqueses identificaram uma ligação entre a exposição a altos níveis de estrogênio no útero e a probabilidade de desenvolver autismo. Os resultados, apresentados em 29 de julho na revista “Molecular Psychiatry”e no site da Universidade de Cambridge (Reino Unido), reforçam a ideia de que o aumento dos hormônios esteroides sexuais pré-natais é uma das causas potenciais para o problema.

A descoberta acrescenta mais evidências para apoiar a teoria de esteroides sexuais pré-natais do autismo, proposta pela primeira vez há 20 anos.

Em 2015, cientistas de Cambridge e do State Serum Institute (Dinamarca) mediram os níveis de quatro hormônios esteroides pré-natais, incluindo dois conhecidos como andrógenos, no líquido amniótico no útero e descobriram que eram mais altos em fetos do sexo masculino que mais tarde desenvolveram autismo. Em média, esses andrógenos são produzidos em maior quantidade em fetos masculinos do que femininos, o que pode explicar por que o autismo ocorre mais frequentemente em meninos. Eles também são conhecidos por masculinizar partes do cérebro e por afetar o número de conexões entre as células cerebrais.

Baseando-se em suas descobertas anteriores, os mesmos cientistas testaram agora amostras de líquido amniótico dos mesmos 98 indivíduos armazenadas no banco genético dinamarquês Biobank para analisar outro conjunto de hormônios esteroides sexuais pré-natais, o estrogênio. Esse é um passo seguinte importante porque alguns dos hormônios previamente estudados são diretamente convertidos em estrogênio.

Todos os quatro estrogênios foram significativamente elevados, em média, nos 98 fetos que mais tarde desenvolveram autismo, em comparação com os 177 fetos que não desenvolveram o problema. Altos níveis de estrogênio pré-natal foram ainda mais preditivos de probabilidade de autismo do que altos níveis de andrógenos pré-natais (como a testosterona). Ao contrário da crença popular que associa estrogênios à feminização, os estrogênios pré-natais afetam o crescimento do cérebro e também masculinizam o cérebro em muitos mamíferos.

 

Interação

O professor Simon Baron-Cohen, diretor do Centro de Pesquisa do Autismo da Universidade de Cambridge, que liderou esse estudo e que primeiro propôs a teoria pré-natal de esteroides sexuais do autismo, declarou: “Esta descoberta apoia a ideia de que o aumento dos hormônios esteroides sexuais pré-natais é uma das causas potenciais para a condição. (…) esses hormônios provavelmente interagem com fatores genéticos para afetar o desenvolvimento do cérebro fetal.”

Alex Tsompanidis, aluno de doutorado em Cambridge que trabalhou no estudo, afirmou: “Esses hormônios elevados podem estar vindo da mãe, do bebê ou da placenta. Nosso próximo passo deve ser estudar todas essas possíveis fontes e como elas interagem durante a gravidez”.

A drª Alexa Pohl, da equipe de Cambridge, declarou: “Essa descoberta é empolgante porque o papel dos estrogênios no autismo foi pouco estudado, e esperamos poder aprender mais sobre como eles contribuem para o desenvolvimento do cérebro fetal em outras experiências. Ainda precisamos ver se o mesmo resultado vale para as mulheres autistas”.

No entanto, a equipe alertou que essas descobertas não podem e não devem ser usadas para rastrear o autismo. “Estamos interessados ​​em entender o autismo, não impedi-lo”, acrescentou Baron-Cohen.