Avanço e recuo

A população de pandas gigantes está aumentando na natureza, informa a mais recente lista de espécies ameaçadas. Mas o gorila-do-oriente entrou no grupo dos animais que estão em perigo crítico

Panda gigante: não mais na lista de espécies criticamente em perigo

A mais recente versão da “lista vermelha” de espécies em risco de extinção, divulgada em setembro pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), traz uma novidade animadora sobre o panda gigante, ícone dos animais ameaçados do mundo. Segundo o estudo, a população de pandas na natureza cresceu quase 17% entre 2004 e 2014, graças a esforços de conservação de florestas e de repressão à caça clandestina liderados pelo governo chinês.

Em 2014, o número de exemplares na natureza era de 1.864, ante 1.596 dez anos antes. O crescimento fez a IUCN alterar a classificação do panda de “criticamente em perigo” (um passo antes da extinção na natureza) para “em perigo”. Mas a entidade alerta que o quadro ainda é frágil, já que a mudança climática poderá destruir 35% do habitat desse animal nos próximos 80 anos.

Já o gorila-do-oriente, o maior primata da Terra, entrou na condição de “criticamente em perigo”. Suas duas subespécies – o gorila-das-montanhas e o gorila-de-grauer – habitam áreas de floresta tropical em Uganda, Ruanda e República Democrática do Congo. Em situação aflitiva há alguns anos, a população de gorilas-das-montanhas cresceu, mas hoje haveria apenas 800 deles. Já os gorilas-de-grauer seguem em baixa constante: hoje são cerca de 3.800, ante 20.000 nos anos 1980. O desmatamento, a caça clandestina e a ação de refugiados de conflitos regionais, que por falta de opção consomem a carne desses animais, são os principais obstáculos à existência da espécie.

A existência de alguns parentes dos gorilas-do-oriente tampouco está fácil. Na Indonésia, o orangotango sofre com o desmatamento de áreas usadas para o cultivo de palma. E os chimpanzés voltaram a aparecer em lojas de animais de estimação, segundo a primatologista Jane Goodall. No estudo, a IUCN avaliou a condição de 82.954 espécies de animais e plantas. Dessas, 23.928 são consideradas ameaçadas. Cerca de metade das 5.107 espécies vistas como “criticamente em perigo” são plantas. Anfíbios, moluscos e peixes também possuem um grande número de espécies ameaçadas de extinção.

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