Ave canta mais baixo em cidade silenciosa na pandemia

Sem a poluição sonora costumeira, o canto mais baixo do pardal-de-coroa-branca pôde ser ouvido por outro membro da espécie a uma distância duas vezes maior que a dos dias comuns

Pardal-de-coroa-branca: canto mais baixo durante a pandemia. Crédito: Lip Kee Yap/Wikimedia

A pandemia de covid-19 reduziu o barulho do tráfego automotivo na região da Baía de San Francisco, nos Estados Unidos, aos níveis dos anos 1970. Com menos ruído no ambiente urbano, o pardal-de-coroa-branca (Zonotrichia leucophry), espécie há décadas adaptada à balbúrdia crescente das cidades, passou em poucas semanas a cantar, em média, 30% mais baixo durante a primavera no hemisfério norte do que fazia antes do início do isolamento social forçado (“Science”, 30 de outubro).

Segundo trabalho coordenado pela ecóloga Elizabeth Derryberry, da Universidade do Tennessee, que há duas décadas registra e estuda o canto da ave nessa área da Califórnia, os pardais voltaram a emitir sons no mesmo padrão de frequências que costumavam empregar na década de 1970, quando San Francisco era muito mais silenciosa. A menor produção de ruídos urbanos e a alteração nos parâmetros do canto fizeram com que o chilrear do pardal pudesse ser ouvido por outro membro da espécie ao dobro da distância do que ocorria antes da pandemia.

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