Aves arriscam a vida ao dormir para recuperar energias

Pássaros migratórios mais exauridos pela viagem dormem com a cabeça sob as penas e, dessa forma, ficam mais vulneráveis a predadores

Felosa-das-figueiras: para recuperar as energias, a ave se expõe mais a predadores. Foto: Biillyboy/Wikimedia

A maioria dos pássaros migratórios deve fazer paradas durante suas longas viagens para repor energias. Uma equipe internacional liderada por Andrea Ferretti e Leonida Fusani, do Departamento de Biologia Cognitiva (Universidade de Viena) e do Instituto de Etologia Konrad Lorenz (Universidade de Medicina Veterinária, Viena), mostrou que a forma como essas aves dormem depende de seu cansaço, mesmo que isso implique problemas para sua segurança. O estudo, publicado no periódico “Current Biology”, é abordado na revista “Cosmos”.

Ferretti, Fusani e seus colegas observaram em detalhes um desses pássaros, a felosas-das-figueiras (Sylvia borin), em um ponto de parada no Mediterrâneo. Descobriram que quando a ave está com poucas reservas de gordura, põe sua cabeça sob as penas para dormir profundamente. Essa posição reduz sua capacidade de reagir à presença de eventuais predadores.

Dormir com a cabeça encolhida está associado a taxas respiratórias e metabólicas mais baixas. Ao ocultarem a cabeça, os pássaros perdem menos calor.

LEIA TAMBÉM: Poluição sonora põe reprodução de aves em risco, diz estudo britânico

Os resultados coletados revelam novas perspectivas sobre as funções das posturas de sono das aves, assim como os desafios ecológicos e fisiológicos que as aves enfrentam durante a migração.

“Não esperávamos encontrar uma diferença tão forte entre as duas posturas do sono em termos de taxa metabólica – a quantidade de energia necessária para alimentar as funções fisiológicas da ave”, diz Ferretti. “Embora houvesse boas razões para pensar que as aves reduzem a perda de calor enfiando a cabeça em suas penas, ficamos surpresos ao ver que elas realmente reduzem seu estado de alerta ao dormir nesta posição.”