Aves incomuns são registradas na região metropolitana de Curitiba

Gavião-de-cabeça-cinza (Leptodon cayanensis) (foto) e gavião-de-sobre-branco (Parabuteo leucorrhous) foram registrados em uma reserva natural na região da Lapa, região metropolitana Curitiba

Gavião-de-cabeça-cinza avistado em Lapa, região metropolitana de Curitiba / Foto: Anselmo Lourenço Coelho

Duas espécies incomuns de ave de rapina, o gavião-de-cabeça-cinza (Leptodon cayanensis) (foto) e o gavião-de-sobre-branco (Parabuteo leucorrhous), foram registradas em uma reserva natural na região da Lapa, região metropolitana Curitiba.

O município paranaense de Lapa é conhecido por sua riqueza cultural e histórica, e também abriga importantes áreas de patrimônio natural.

O gavião-de-cabeça-cinza é uma espécie que, durante a sua fase de desenvolvimento, tem a capacidade de imitar outro gavião de maior porte. “Esse processo na ecologia é conhecido como mimetismo e acontece por meio da modificação na coloração das penas. Mas ao atingir o amadurecimento, a sua plumagem retoma as cores originais da espécie. É uma estratégia evolutiva utilizada por esta espécie para se proteger de outros predadores”, diz Romulo Silva, técnico da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).

No caso do gavião-de-cabeça-cinza fotografado, o indivíduo mimetiza um gavião-pato (Spizaetus melanoleucus), pela imagem de forte predador que este último representa, segundo Silva. Mesmo com ampla distribuição pelo território brasileiro, esta espécie nunca havia sido registrada neste local. Ao todo, 28 espécies de rapinantes já foram avistadas na reserva.

No caso do gavião-de-sobre-branco, apesar de não ser ameaçado de extinção, a distribuição dessa espécie é restrita ao bioma Mata Atlântica e está associada a florestas de altitude, como a Floresta com Araucária.

Gavião-de-sobre-branco (Parabuteo leucorrhous) avistado em Lapa, região metropolitana de Curitiba / Foto: Romulo Silva / Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental

“Restam apenas 0,8% da área ocupada originalmente de Floresta com Araucária em bom estado no Paraná. Não há sombra de dúvidas que a perda desse tipo de habitat corrobora para tornar o registro da espécie nesse ecossistema cada vez mais raros”, explica Silva.

A área abriga outras espécies de animais, muitas vezes em situação vulnerável, como a onça-parda (Puma concolor) e a jaguatirica (Leopardus pardalis).

A presença destes animais, que ocupam o topo da cadeia alimentar, indica que os remanescentes florestais da região se encontram em um bom estado de conservação.

A manutenção das reservas naturais são ferramentas importantes para o desenvolvimento de ações de educação para conservação da natureza e de pesquisas científicas.