Bayer recompensará agricultores que usam práticas sustentáveis

Empresa é a primeira a desenvolver uma abordagem colaborativa, com base em ciência, para um mercado de carbono na agricultura; iniciativa começa no Brasil na safra 2020/2021

Estimular práticas agrícolas sustentáveis é o objetivo do programa lançado pela Bayer inicialmente no Brasil e nos EUA. Crédito: USDA

A agricultura poderá ter a oportunidade de gerar novas soluções sustentáveis graças a uma iniciativa que está sendo lançada esta semana pela empresa química e farmacêutica Bayer. A companhia começará a recompensar agricultores no Brasil e nos EUA pela geração de créditos de carbono, incentivando práticas agrícolas sustentáveis, que contribuam com a redução da pegada de carbono e os gases de efeito estufa (GEE).

A Iniciativa Carbono Bayer, a primeira no setor, é o resultado de anos de trabalho para a validação de uma metodologia de mensuração de captura de carbono, baseada em ciência, em área de produção. A Bayer reconhece o papel fundamental que os produtores têm em contribuir com projetos ambientais duradouros. A redução de emissões de carbono é o mais recente compromisso de sustentabilidade da empresa, que visa diminuir em 30% as emissões de GEE no campo, até 2030.

A iniciativa envolverá aproximadamente 1.200 agricultores no Brasil e nos EUA. Todos receberão assistência para a implementação de práticas agrícolas sustentáveis, com foco em produtividade com baixo impacto climático. Além disso, para uma parte dos agricultores selecionados, a Bayer recompensará as remoções de carbono geradas por meio dessas práticas.

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No Brasil, a Bayer selecionou cerca de 500 produtores rurais. Eles estão localizados em 14 estados brasileiros (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás, Mato Grosso, Rondônia, Tocantins, Pará, Bahia, Maranhão e Piauí), com cultivos principalmente de soja e milho. Também são usuários da plataforma de agricultura digital Climate FieldView. Essa ferramenta tem papel importante nas medições e implementação do programa.

Modelo de negócio de carbono

A iniciativa já terá início na safra 2020/2021, em cerca de 60 mil hectares. O investimento estimado no Brasil será de cerca de € 5 milhões, ao longo de três anos.

“Junto com os produtores, vamos desenvolver um modelo de negócio de carbono no país. Trata-se de um mercado com muito potencial, mas ainda intangível para os agricultores brasileiros. Esta iniciativa visa gerar uma base para um modelo que funcione para os produtores, além de estimular a adoção de técnicas, ferramentas e manejo para aumento de produtividade com maior captura de carbono dentro das áreas produtivas”, afirma Rodrigo Santos, presidente da divisão agrícola da Bayer para a América Latina.

Ao longo de todas as etapas da iniciativa, os produtores terão como benefício a mensuração do carbono em suas áreas e a experiência para o acesso ao mercado de carbono, quando estabelecido no Brasil. Também terão acesso a conteúdos técnicos exclusivos, com prescrições e acompanhamento das safras pela equipe Bayer e parceiros, além de eventos para fomentar o compartilhamento de conhecimento. A união de teoria e prática permitirá acelerar o desenvolvimento do mercado de carbono no agronegócio brasileiro.

No país, a Bayer contará com a Embrapa como parceira técnica para construir um mercado de carbono viável para os agricultores. A parceria inclui a Embrapa Meio Ambiente, a Embrapa Instrumentação e a Embrapa Informática Agropecuária, apoiados por outras unidades, e pela Embrapa Sede.

Para o presidente da entidade, Celso Moretti, é possível obter maior produtividade por conta do manejo mais adequado, melhorando a renda do produtor. “A disseminação de práticas mais sustentáveis para a agricultura é um dos resultados buscados pela Embrapa. Elas trazem mais eficiência, pois geram benefícios ambientais, econômicos e sociais”, defende Moretti.

Nova parceria

É o que também propõe Brett Begemann, líder global de Operações Comerciais da divisão agrícola da Bayer. Ele afirma que os agricultores realizam práticas ambientais importantes e são guardiões naturais das terras que cultivam. “A vida e a subsistência dos agricultores dependem do clima e são os primeiros fatores a serem afetados por secas, inundações e condições extremas. Se há interessados em combater as mudanças climáticas, certamente se destaca o produtor. Estamos comprometidos a desenvolver novos modelos de negócios como a Iniciativa Carbono Bayer para ajudá-los nessa luta”, explica Begemann.

Atualmente, os produtores são recompensados por sua produção de alimentos, grãos e fibras. Aqueles que participarem da Iniciativa Carbono Bayer, porém, terão a oportunidade de ser recompensados por suas melhores práticas de gestão agrícola e outros esforços de sustentabilidade.

“É muito importante conduzirmos essa nova parceria com os produtores. Acreditamos ser um grande passo para a criação de um futuro de carbono zero para a agricultura, legado para as próximas gerações, desenvolvido em conjunto com os produtores”, finaliza Begemann.

A ideia é estender o programa aplicado no Brasil e nos EUA para novos produtores e, posteriormente, para outras regiões do mundo. Abordagens personalizadas permitirão a escolha das práticas agrícolas sustentáveis e manejos mais adequados às suas lavouras.

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