Beethoven desconstruído: pouca variação para obras geniais

Beethoven: acordes utilizados eram basicamente de tônica e de dominante. Imagem: J.K. Stieler/Wikimedia

Pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne (EPFL, na sigla em inglês) mergulharam nas partituras de todos os 16 quartetos de cordas de Ludwig van Beethoven, envolvendo cerca de 30 mil acordes, para encontrar a “assinatura estatística” do compositor alemão.

O projeto, conduzido pelo Laboratório de Musicologia Digital e Cognitiva (DCML, na sigla em inglês) da EPFL, foi um dos desenvolvidos na área de humanidades digitais para promover a compreensão de obras como pinturas, textos literários e música. Seus resultados foram publicados no fim da semana passada na revista “PLOS One”.

“Novos métodos de vanguarda em estatística e ciência de dados tornam possível para nós analisar a música de maneiras que estavam fora do alcance de musicologia tradicional”, disse Martin Rohrmeier, do DCML, em um comunicado à imprensa. “O objetivo do nosso laboratório é entender como a música funciona.”

No caso de Beethoven, os pesquisadores descobriram que muito poucos acordes compõem a maior parte dos quartetos e que a maioria desses acordes é do tipo dominante e tônica (respectivamente, do quinto e do primeiro graus da escala usada, associados às funções de aproximação e repouso). Esses acordes têm papel central no objetivo do compositor de construir tensão e liberação na progressão musical.

Segundo o estudo, “a transição mais frequente de um acorde para o próximo acontece do de dominante para o de tônica”. Os pesquisadores também descobriram que “os acordes selecionam fortemente sua ordem e, assim, definem a direção do tempo musical”.

Quanto à singularidade estatística de Beethoven a esse respeito, os pesquisadores ainda consideram difícil avaliá-la, pois é necessário compará-la à de outros compositores. A equipe do DCML planeja ampliar seus conjuntos de dados para incluir “uma ampla gama de compositores e períodos históricos”.

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