Bélgica decide desativar todas as suas usinas nucleares

País desligará reatores até 2025, mas investirá em novas tecnologias que possam levar a usinas menores. União Europeia está dividida sobre o tema: França quer selo verde para energia nuclear, enquanto Alemanha é contra

O governo belga informou nesta quinta-feira (23/12) que desativará todas as usinas nucleares no país ao longo dos próximos três anos.

Entretanto, como parte de um acordo, o país continuará a investir em tecnologias futuras que poderiam favorecer a construção de reatores menores.

Como foi tomada a decisão?

A coalizão de sete partidos que governa o país vinha discutindo o assunto há semanas. Os Verdes insistiam que o governo cumprisse uma lei de 2003 sobre o fim da produção de energia nuclear na Bélgica.

Mas, segundo as emissoras públicas RTBF e VRT, os liberais queriam que os dois mais novos reatores nucleares seguissem abertos.

Um grupo de ministros chegou a um acordo após conversas que terminaram nesta quinta. As últimas usinas nucleares em operação no país deverão ser desativadas em 2025, conforme a lei aprovada em 2003.

Em compensação, os ministros concordaram em investir em “energias renováveis e neutras em carbono”, incluindo reatores nucleares da próxima geração. Isso envolveria destinar fundos a novos reatores modulares menores, que geram menos energia e são mais fáceis de controlar em caso de emergência.

Segurança energética e inovação

O primeiro-ministro belga, o liberal Alexander De Croo, disse que o principal objetivo do acordo era garantir a segurança do fornecimento de energia.

“Nosso povo e nossas empresas têm direito a isso”, disse, acrescentando que o segundo objetivo era “optar totalmente pela inovação”.

“Em termos concretos, isso significa que investiremos na pesquisa de novas tecnologias”, disse de Croo, explicando que isso incluía reatores menores.

A ministra da Energia, Tinne Van der Straeten, dos Verdes, disse que a pesquisa se concentraria em fontes de energia sustentáveis, flexíveis e neutras em carbono.

“Já temos muita experiência nessa área em nosso país. Agora devemos usar essa expertise para não perder o bonde. Antecipar-se sempre compensa”, afirmou.

A Bélgica têm duas usinas nucleares, com sete reatores no total, que são operadas pela empresa francesa Engie.

Em 2019, o Tribunal de Justiça da União Europeia concluiu que a Bélgica infringiu uma norma do bloco ao não realizar as avaliações ambientais exigidas antes de prolongar a vida útil dos reatores nucleares Doel 1 e 2, perto da cidade portuária de Antuérpia, no norte do país.

Nos anos anteriores, os reatores tanto da usina de Doel perto de Antuérpia quanto da usina de Tihange, perto de Liège, tiveram que ser temporariamente desligados porque os inspetores encontraram pequenas fissuras.

Diferentes posições nacionais

A Alemanha irá desativar todas as suas usinas nucleares até o final de 2022, segundo um acordo fechado em 2011, após o desastre nuclear de Fukushima no Japão.

Enquanto isso, a França produz cerca de 70% de sua energia em usinas nucleares e planeja construir mais reatores.

A decisão da Bélgica foi tomada enquanto a Comissão Europeia prepara uma taxonomia sobre o que o bloco considera “atividades econômicas ambientalmente sustentáveis”.

Os países-membros da União Europeia estão divididos sobre o assunto. A França lidera um bloco que pressiona para que a energia nuclear tenha o rótulo “verde” e, portanto, receba investimentos correspondentes, enquanto a Alemanha lidera um bloco que se opõe a isso.

bl (Reuters, AFP)

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