Bilionários lançam a era do turismo no espaço

Corrida de Jeff Bezos e outros bilionários inaugura um negócio que tende a se expandir. Apesar das preocupações ambientais, especialistas dizem que novo ramo comercial deve gerar empregos e inovação para outros setores

Depois das missões Apollo e do ônibus espacial da Nasa, parecia que os dias felizes da exploração espacial haviam chegado ao fim. O interesse diminuiu, e parecia que muitas pessoas não viam mais sentido nisso. Mais recentemente, no entanto, o interesse foi despertado novamente, principalmente pela miríade de missões internacionais a Marte.

A última moda é o turismo espacial comercial oferecido por várias empresas privadas de voos espaciais. Os três principais competidores estão exibindo ao mundo quem tem o maior cacife para levar ao espaço a si mesmos e qualquer um que tenha dinheiro suficiente.

Nesta terça-feira (20/07) foi a vez do bilionário Jeff Bezos, que embarcou em sua própria aventura espacial a bordo da cápsula New Shepard, da sua empresa Blue Origin. O fundador da Amazon levou consigo seu irmão Mark; o estudante holandês Oliver Daemen, de 18 anos, filho de um empresário que pagou pelo voo, tornando o rapaz a pessoa mais jovem a ir ao espaço; e a aviadora pioneira Wally Funk, de 82 anos, que é agora a pessoa mais velha a participar de um voo espacial.

Mas em 11 de julho, o empresário britânico Richard Branson, fundador da Virgin Galactic, já havia saído na frente de Bezos ao se lançar com sucesso, junto com outros cinco membros de sua tripulação, no espaço suborbital – definido como alcançar o espaço sideral, mas numa trajetória que não o coloca em órbita. Eles chegaram a uma altitude de 80 quilômetros, que é a fronteira do espaço sideral reconhecida pelos Estados Unidos.

Até agora, a Virgin Galactic contabiliza cerca de 600 reservas para o voo de uma hora e meia, com preço de cerca de 250 mil dólares (R$ 1,3 milhão).

E há também Elon Musk, cuja empresa SpaceX assinou um acordo com a empresa de turismo espacial Axiom, com sede em Houston, para enviar três cidadãos e um ex-astronauta da Nasa ao espaço. Os passageiros da Axiom pagarão 55 milhões de dólares (R$ 288 milhões) pelo voo e uma estadia na Estação Espacial Internacional no início de 2022.

Qual o impacto ambiental?

Embora esses bilionários estejam na vanguarda do atual boom do turismo espacial, eles não são, de forma alguma, os primeiros a embarcar em uma aventura espacial comercial. Vinte anos atrás, em 28 de abril de 2001, Dennis Tito, um engenheiro americano, pagou enormes 20 milhões de dólares (R$ 105 milhões) por um assento em um foguete russo Soyuz, tornando-se o primeiro civil a visitar a Estação Espacial Internacional.

Não é nenhuma surpresa que o turismo espacial tenha polarizado a opinião pública. Além de questões de saúde, como a exposição à radiação nociva do sol, uma das críticas citadas regularmente é o impacto que o lançamento de foguetes ao espaço tem sobre o meio ambiente.

“O aspecto que tem sido mais focado é a redução do ozônio na camada protetora de ozônio estratosférico. A vantagem, pelo menos com os foguetes Virgin Galactic e Blue Origin, é que eles não têm cloro, mas têm outros componentes que pode produzir óxidos de nitrogênio. E quando este é liberado na estratosfera, pode contribuir para a destruição da camada de ozônio”, explica Eloise Marais, professora associada de geografia física na University College London. Ela está trabalhando em um estudo sobre emissões poluentes de lançamentos de foguetes.

Quanto ao lançamento da Blue Origin, o motor BE-3 usado na cápsula New Shepard usa hidrogênio líquido e oxigênio líquido. “Ambos têm um impacto. Hidrogênio e oxigênio podem produzir água, e a água liberada na estratosfera seca pode influenciar o clima”, alerta Marais.

As emissões de dióxido de carbono também são uma preocupação, pois é o gás de efeito estufa que influencia o clima de forma mais prolongada. O avião espacial VSS Unity, da Virgin Galactic, usa combustível de foguete convencional e emite CO2 equivalente a um voo transatlântico de passageiros de ida e volta. Em contraste, a cápsula New Shepard da Blue Origin usa combustível de hidrogênio, que não emite CO2 – embora a produção desse combustível de hidrogênio provavelmente o faça.

Benefícios econômicos e tecnológicos

Espera-se que o turismo espacial cresça como um setor comercial e renove o interesse na exploração espacial. Como resultado, haverá mais apoio financeiro para a inovação no setor. A tecnologia desenvolvida para o turismo espacial pode, um dia, ser aplicada a outros domínios além das missões espaciais.

“Conseguimos muitos produtos que são seguros em um ambiente espacial que copiamos de maneira segura para o benefício das pessoas na Terra”, lembra Annette Toivonen, professora de turismo espacial da Universidade de Ciências Aplicadas Haag-Helia de Helsinque e autora de um livro sobre turismo espacial sustentável.

A fabricação de naves espaciais novas e melhores também criará oportunidades de emprego. No início de 2021, a Nasa anunciou que estava oferecendo 45 milhões de dólares (R$ 236 milhões) em apoio a cerca de 350 pequenas empresas e instituições de pesquisa para desenvolver tecnologias de ponta.

“Esse é o lado bom, quando temos três homens ricos usando seus próprios fundos para esses empreendimentos, e o fato de isso não sair do bolso do contribuinte”, diz Toivonen. “Indivíduos privados estão dispostos a usar seu dinheiro para esses tipos de desenvolvimentos e inovações tecnológicas.”

Algumas dessas inovações tecnológicas também podem abrir caminho para encontrar fontes de combustível mais sustentáveis ​​que podem beneficiar outras indústrias. “Agora, há muito dinheiro para tentar criar alternativas para os combustíveis fósseis. Então, eles podem descobrir algum tipo de sistema de combustível de hidrogênio que possa ser copiado para aviões”, avalia Toivonen.

O turismo espacial está se tornando uma indústria em expansão. Em um relatório do ano passado, o banco de investimento suíço UBS estimou que o turismo espacial suborbital e orbital poderia ter um valor de mercado de 3 bilhões de dólares (R$ 15,8 bilhões) em 2030.

Turismo espacial veio para ficar

Uma pergunta que surge regularmente é se o espaço fora da Terra é destinado aos humanos. “Há uma grande questão ética aí. Destruímos nosso planeta; depois vamos ao espaço e o destruímos também. Falta legislação. Parece o Velho Oeste no momento”, afirma Toivonen.

Seja qual for a sua opinião, a corrida comercial ao espaço está em pleno andamento.

Se amarrar-se em um foguete não é sua praia, a empresa de voos espaciais Space Perspective está planejando levar os passageiros até os limites do espaço em uma versão de alta tecnologia de um balão de ar quente movido a hidrogênio “do tamanho de um estádio de futebol”. Os primeiros voos estão planejados para o início de 2024, com ingressos com preços mais acessíveis, de 125 mil dólares por pessoa (R$ 660 mil).

E, se você estiver planejando um tipo de férias diferente, a empresa Orbital Assembly Corporation planeja abrir um hotel espacial de luxo em 2027. A Voyager Station oferece restaurante, academia e bares para ver a Terra. Uma estadia de três dias e meio custará apenas 5 milhões de dólares (R$ 26,2 milhões).

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