Borboletas cruzam Saara, na mais longa migração de insetos conhecida

Condições climáticas mostraram ter grande influência nos números de migração da espécie, em jornadas que chegam a 14 mil quilômetros

A borboleta bela-dama no Marrocos. Crédito: Orio Massana

Uma espécie de borboleta encontrada na África Subsaariana consegue migrar milhares de quilômetros para a Europa, cruzando o deserto do Saara, em anos em que as condições climáticas são favoráveis, descobriu uma equipe internacional de cientistas. Seu estudo foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

A impressionante borboleta bela-dama, ou vanessa-dos-cardos (Vanessa cardui), foi mostrada pela primeira vez como sendo capaz de fazer a viagem de ida e volta de 12 mil a 14 mil quilômetros – a mais longa migração de inseto conhecida até agora – em maior número quando as condições mais úmidas no deserto ajudam as plantas em que ela põe ovos.

As descobertas aumentam a compreensão de como os insetos – incluindo polinizadores, pragas e doenças que eles carregam – poderão se espalhar entre os continentes no futuro, conforme a mudança climática altera as condições sazonais.

Variação grande

O professor Tom Oliver, ecologista da Universidade de Reading (Reino Unido) e coautor do estudo, disse: “Sabemos que o número de borboletas belas-damas na Europa varia muito, às vezes 100 vezes mais de um ano para o outro. No entanto, as condições que causavam isso eram desconhecidas, e a sugestão de que as borboletas poderiam cruzar o deserto do Saara e os oceanos para chegar à Europa não era comprovada. Esta pesquisa mostra que essa jornada improvável é possível e que certas condições climáticas que levam à temporada de migração têm uma grande influência nos números que a compõem. Isso demonstra como a vida selvagem que vemos no Reino Unido pode transcender as fronteiras nacionais, e proteger essas espécies requer uma forte cooperação internacional”.

Além de responder a longas perguntas sobre as migrações das borboletas, as descobertas podem ajudar nas previsões dos movimentos de outros insetos que afetam as pessoas, como os gafanhotos que atualmente assolam a África Oriental ou por mosquitos transmissores da malária.

Oliver afirmou: “Gostamos de ver as lindas borboletas belas-damas em nossos jardins na Europa, mas as mudanças climáticas também levarão a mudanças em espécies invasoras que são pragas de plantações ou disseminam doenças. A escassez de alimentos na África Oriental é um lembrete de que os impactos da mudança climática podem ser muito mais dramáticos do que alguns graus de aquecimento podem parecer à primeira vista”.

Variação grande

A bela-dama migra durante a primavera, após uma temporada de reprodução no inverno. Os pesquisadores usaram dados de monitoramento de longo prazo de milhares de registradores voluntários treinados, junto com dados climáticos e atmosféricos em regiões da África Subsaariana e da Europa, para aprender sobre seu movimento.

O estudo descobriu que o aumento da vegetação na savana africana durante o inverno e no norte da África na primavera, combinado com ventos de cauda favoráveis, são os três fatores mais importantes no número que migra para a Europa.

As lagartas da bela-dama se alimentam de folhas de plantas que prosperam em condições de inverno mais úmido nas regiões de savana e no Sahel da África Subsaariana, causando a explosão do número de populações. Elas migram através do Saara, e quando há também condições de primavera úmida e verde no norte da África, isso permite que se reproduzam e aumentem os números que cruzam o Mar Mediterrâneo para chegar à Europa.

Simulações feitas pelos cientistas também mostraram que há ventos de cauda regularmente favoráveis ​​entre a África e a Europa Ocidental, oferecendo oportunidades de insetos para viagens transcontinentais.

Descanso noturno

A equipe calculou que as borboletas devem voar sem parar durante o dia e descansar à noite para cruzar o Saara, fazendo paradas para se alimentar de néctar. Isso é semelhante ao padrão por meio do qual os pássaros canoros que voam à noite migram.

Os pesquisadores concluíram que as borboletas devem voar até 1 km a 3 km acima do nível do mar para aproveitar os ventos favoráveis. Sua velocidade máxima de voo autônomo, de cerca de 6 metros por segundo, tornaria a travessia do Saara extremamente difícil.

Os pesquisadores usaram observações de espécies de borboletas semelhantes para calcular que as belas-damas têm gordura corporal suficiente após a metamorfose para sustentar 40 horas de voo ininterrupto, e manter-se alimentadas sorvendo néctar sempre que possível, a fim de cruzar o Saara.

As descobertas podem ajudar a melhorar as previsões de quais espécies de insetos poderão ser encontradas em diferentes regiões no futuro devido às mudanças climáticas, e os números que podem atingir.

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