Botânico encontra planta que não era vista há mais de 200 anos

A Psoralea cataracta foi vista pela última vez em 1804, na África do Sul

A elusiva Psoralea: reencontrada graças ao olhar clínico de Du Preez. Crédito: Brian du Preez

Uma das primeiras espécies registradas que foram perdidas para a silvicultura e a agricultura na província de Western Cape (África do Sul) no século 19, a Psoralea cataracta, um tipo de arbusto da família das ervilhas que costumava crescer próximo a córregos nas montanhas da região de Tulbagh, foi redescoberta.

A planta foi encontrada por Brian du Preez, aluno de doutorado em botânica na Universidade da Cidade do Cabo, quando acidentalmente encontrou uma população delas em uma trilha estreita perto de um rio em uma fazenda perto de Tulbagh.

Até agora, a P. cataracta era conhecida apenas a partir de um único espécime coletado da “cachoeira Tulbagh” em 1804. Em 2008, após muitas buscas infrutíferas, ela foi oficialmente declarada extinta na Lista Vermelha de Plantas Sul-Africanas .

“Assim que vi aqueles delicados caules de flores em forma de fio, sabia que era a Psoralea cataracta”, disse Du Preez.

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Chances reduzidas

Charles Stirton, especialista internacionalmente reconhecido no gênero Psoralea, sediado no Reino Unido e cossupervisor de Du Preez, confirmou que o achado de seu pupilo é realmente a espécie perdida há muito tempo. “Esta é uma descoberta muito importante, pois mostra como a província de Western Cape ainda é relativamente inexplorada em muitas áreas montanhosas”, disse ele.

“Dado que muito da flora do Cabo só aparece brevemente após incêndios, desaparecendo rapidamente, e que às vezes esses incêndios são irregulares, as chances de estar em uma área certa na hora certa são reduzidas”, acrescentou Stirton.

É inegável que Du Preez tem um excelente olho para identificar espécies. Em 2016, ainda como aluno de botânica na Universidade de Stellenbosch (África do Sul), ele redescobriu duas espécies presumidamente extintas na família das ervilhas, Polhillia ignota e Aspalathus cordicarpa, vistas pela última vez em 1928 e 1950, respectivamente.