Britânicos e ucranianos criam vodca com grãos cultivados em Chernobyl

Vodca "Atomik", produzida com cereais colhidos na região da Ucrânia onde ocorreu o pior desastre nuclear da história, é segura para beber, afirmam os cientistas

Cena de vídeo da "Atomik" postado no YouTube: fabricantes garantem que a bebida não tem nenhum ingrediente radiativo

Cientistas britânicos e ucranianos criaram uma vodca produzida a partir de cereais cultivados na zona de exclusão em torno da usina de Chernobyl (Ucrânia). A usina foi palco do pior desastre nuclear da história, em 1986.

Segundo os pesquisadores britânicos, da Universidade de Portsmouth, a vodca artesanal, denominada “Atomik” (Atômica), não tem um nível de radiatividade perigoso.

Para o professor Jim Smith, integrante da equipe e um dos principais especialistas em Chernobyl, a ideia por trás da novidade é destinar 75% dos lucros da venda da bebida à comunidade afetada pelo desastre e, assim, ajudar a reativar economicamente a área. “Muitos milhares de pessoas ainda vivem na Zona de Reassentamento Obrigatório, onde novos investimentos e uso de terras agrícolas ainda são proibidos”, ele afirmou ao site da Universidade de Portsmouth.

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Os pesquisadores detectaram radiatividade nos grãos usados. Segundo eles, o estrôncio-90 está ligeiramente acima do cauteloso limite ucraniano de 20 becqueréis por quilo (Bq/kg). Mas, como a destilação reduz as impurezas no grão original, a radiatividade flagrada na bebida é o carbono-14 natural encontrável em qualquer destilado.

 

Sem contaminação

Os cientistas diluíram o álcool destilado com água mineral do aquífero profundo da cidade de Chernobyl, 10 km ao sul do reator que explodiu em 1986. A química dessa água é semelhante à da água subterrânea na região de Champagne, na França – e também está livre de contaminação.

A vodca artesanal é um dos resultados de um projeto liderado por Smith, que recebeu financiamento para descobrir quando e se é seguro começar a usar algumas das terras abandonadas para o cultivo.

“Não achamos que a principal zona de exclusão deve ser extensivamente usada para a agricultura, pois agora é uma reserva de vida selvagem”, disse Smith. “Mas há outras áreas onde as pessoas vivem em que a agricultura ainda é proibida.”

Ele acrescentou: “Depois de 33 anos, muitas áreas abandonadas agora podiam ser usadas para cultivar safras sem a necessidade de destilação. (…) Nosso objetivo é criar um produto de alto valor para apoiar o desenvolvimento econômico de áreas fora da principal zona de exclusão, onde a radiação não é um risco significativo para a saúde.”

Uma empresa, The Chernobyl Spirit Company, está sendo montada para produzir e vender a Atomik. Espera-se que a produção experimental em pequena escala da vodca comece ainda este ano.

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