Caçador de planetas

O satélite Tess, lançado em abril pela Nasa, deverá dar um novo impulso à busca por outros mundos, entre os quais algum que abrigue vida como a nossa

A marca de mais de 2 mil mundos descobertos fora do Sistema Solar pelo telescópio espacial Kepler, da Nasa (a agência espacial americana), poderá ser superada por uma novidade lançada em abril do Cabo Canaveral, na Flórida: o Tess (abreviatura em inglês de Satélite de Pesquisa de Exoplaneta em Trânsito). O artefato está voltado para o estudo de sistemas estelares que estão de 10 a 300 anos-luz da Terra – uma área de cobertura bem menor que a estudada pelo Kepler, lançado em 2009. Mais atualizado, porém, o Tess deverá peneirar melhor essa região do espaço e tem mais possibilidades de encontrar exoplanetas, entre eles alguns que tenham capacidade de abrigar vida como a nossa. Sua missão, prevista para durar dois anos, será conduzida por uma parceria entre o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) e o Centro de Voo Espacial Goddard, da Nasa.

Segundo George Ricker, principal pesquisador da missão e cientista do Instituto de Astrofísica e Pesquisa Espacial Kavli, do MIT, as quatro câmeras especializadas do Tess lhe permitirão acompanhar 85% de todo o céu. Essa área contém cerca de 20 milhões de estrelas, lembra Ricker. A técnica a ser usada é a de trânsito, quando os planetas passam na frente de suas estrelas e bloqueiam por alguns momentos a luz que elas emitem. Caso registre um escurecimento periódico de alguma estrela, o Tess a deixará assinalada para que o caso seja mais profundamente analisado pelos melhores observatórios terrestres ou pelo telescópio espacial James Webb, que a Nasa deverá colocar em órbita em 2020. No caso do James Webb, a pesquisa se dará por meio da atmosfera do planeta, em busca de oxigênio, dióxido de carbono ou metano – gases que remetem à possível existência de vida.

“O Tess poderá dizer que há um sistema interessante para o James Webb, e seguir em frente e encontrar outro”, diz Ricker. “É realmente um batedor para todo esse processo.” Stephen Rinehart, cientista para a missão no Centro de Voo Espacial Goddard, tem expectativas mais grandiosas sobre a atuação do novo satélite: “Minha grande esperança é que o Tess encontre novos mistérios. Talvez achemos algo que ninguém esperava e que deixará as pes­soas coçando a cabeça.”

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