Cães recebem vacina contra câncer como teste para humanos

A medicação ensinaria o sistema imunológico a reconhecer invasores perigosos rapidamente e a revidar, mas oncologistas não acreditam na eficácia desse tipo de vacinação

(Foto: Pekic/iStock)

O cientista, inventor e diretor do Centro de Inovações em Medicina da Universidade Estadual do Arizona Stephen Johnston iniciou um ousado ensaio clínico para testar uma vacina contra o câncer em centenas de cães pelos Estados Unidos.

Apesar da opinião de colegas especialistas sobre a ineficácia de uma vacina para prevenir tumores – já que são muitas variedades que atuam de forma diferente em cada corpo -, o estudo do médico, que não é oncologista, pretende checar se a vacina atrasa ou previne uma variedade de cânceres em cães saudáveis ​​e idosos.

Se for bem sucedido em um desses aspectos, Johnston espera poder estabelecer as bases para o desenvolvimento de uma vacina semelhante para seres humanos, conforme revelou à CNN. A ideia inicial era testar a vacina diretamente em humanos, mas aprovar e bancar essa proposta não estavam sendo viáveis.

O veterinário Doug Thamm, que já teve câncer e é diretor de pesquisa clínica no Flint Animal Cancer Center da Universidade do Estado do Colorado, trouxe a proposta de testar nos cachorros, já que não vivem tanto quanto os humanos, reduzindo os prazos do estudo de 10 a 30 anos para três a cinco anos. Além disso, esses animais costumam desenvolvem tumores espontaneamente como resultado da velhice de uma forma muito semelhante aos seus melhores amigos.

Os participantes são voluntários, metade deles receberá a vacina e a outra metade receberá um placebo, e nem os donos nem os veterinários saberão quais cães estão recebendo a vacina, de forma a não afetar os resultados. Serão quatro doses inicialmente, e depois reforços anuais durante cinco anos. Se chegar ao mercado, Johnston quer que cada dose custe entre US$ 100 e US$ 500, quase o mesmo que a maioria das vacinas contra doenças infecciosas.

Essa vacina ensinaria o sistema imunológico a reconhecer invasores perigosos rapidamente e a revidar. Para criá-la, Johnston e sua equipe rastrearam 800 cães que tiveram pelo menos um dos oito cânceres mais freqüentemente encontrados em caninos. Eles identificaram algumas centenas de neo-epítopos que os tumores de todos os oito tipos de câncer tinham em comum e usaram 31 para desenvolver a vacina. Neoepitopos são as partes de uma célula cancerosa que o sistema imunológico pode atingir.

Entretanto, mesmo que a vacina funcione nos cachorros, obter aprovação para um teste clínico em humanos é pouco provável, porque a grande maioria dos medicamentos testados em animais não é aprovada pela FDA, por considerá-los inseguros ou ineficazes.