Câmeras em pinguins mostram seu papel na comunidade marinha

Pesquisadores da Universidade Nelson Mandela, na África do Sul, reuniram 31 horas de filmagens de mergulhos de pinguins africanos na reserva natural de Stony Point, no extremo sul do país

Pinguins: perspectivas sombrias para a continuidade da sua existência (Foto: iStock)

Ao colocar câmeras em animais, os seres humanos conseguem descobrir o que diferentes espécies fazem quando estão longe dos seus olhares. Pesquisadores da Universidade Nelson Mandela, na África do Sul, escolheram acompanhar 20 pinguins africanos na Reserva Natural de Stony Point, no extremo sul do país. O objetivo final, entretanto, era entender se o comportamento de caça deles colaborava para o sucesso das aves marinhas em obter comida no mar.

Os pinguins são aves de mergulho, que podem ir além dos 100 metros de profundidade em busca de alimentos. Ao encontrar cardumes de peixes, a forma como nadam e caçam indivíduos desses grupos, conduzem os cardumes para a superfície. E assim colaboram com as aves marinhas, que dependem da visão e do olfato para encontrar suas presas.

Mergulhe com um deles neste vídeo:

Entre os registros de 57 mergulhos e 31 horas de filmagens, realizados ao longo de quatro estações de reprodução entre junho e agosto de 2015 e 2018, os pesquisadores puderam constatar que os pinguins africanos mergulham regularmente a uma profundidade de cerca de 30 metros, onde encontram cardumes de anchovas, que acabam arrastando para até cerca de 5 metros abaixo da superfície – muito parecido com o que fazem golfinhos e baleias assassinas. Os pinguins são reconhecidamente bons rastreadores, podendo encontrar comida em um raio de 40 km ao redor de suas colônias entre abril e outubro.

De acordo com o estudo publicado na Royal Society Open Science, fica claro que os pinguins têm um papel importante na comunidade marinha, ajudando as aves a encontrar alimento. Mas não se encontrou resposta para se os pinguins também tiram algum proveito nessa relação.

Os pinguins africanos estão atualmente em risco de extinção na Lista Vermelha da IUCN, com apenas 50.000 adultos maduros em estado selvagem. Uma das principais razões para a diminuição da população – que caiu mais de 70% desde 2004 – é um declínio enorme na disponibilidade de suas presas devido a operações de pesca comercial usando redes projetadas para capturar cardumes inteiros de peixes.

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