Canhão estelar

Estrela de nêutrons que foi projetada para fora do remanescente de uma supernova é tão rápida que deverá deixar a Via Láctea no futuro

Foto mostra o rastro do pulsar (à esquerda) expelido pelo remanescente de supernova CTB 1. Imagem: J. English/Universidade de Manitoba/NRAO/DRAO/Nasa

O que poderia atirar uma estrela de nêutrons feito uma bala de canhão? Uma supernova – a explosão muito brilhante característica dos estágios finais da evolução de algumas estrelas. Cerca de 10 mil anos atrás, a supernova que originou seu remanescente CTB 1, na constelação de Cassiopeia, não apenas destruiu uma estrela massiva como também lançou seu recém-formado núcleo de estrela de nêutrons – um pulsar – na Via Láctea.

O pulsar, que gira 8,7 vezes por segundo, foi descoberto usando o software Einstein@Home, que pode ser baixado, pesquisando dados obtidos pelo Observatório de Raios Gama Fermi, da Nasa.

Situado a cerca de 6.500 anos-luz da Terra, o pulsar PSR J0002 + 6216 viaja a quase 4 milhões de quilômetros por hora – tão depressa que percorreria a distância entre a Terra e a Lua em 6 minutos. Ele saiu do remanescente CTB 1 e é ainda rápido o suficiente para deixar a nossa galáxia.

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Na foto, o rastro do pulsar é visível, estendendo-se até a parte inferior esquerda do remanescente da supernova, semelhante a uma bolha. A imagem em destaque é uma combinação de imagens de rádio dos observatórios de rádio VLA e DRAO, bem como de dados arquivados a partir do observatório orbital de infravermelho IRAS, da Nasa.

Sabe-se que as supernovas podem atuar como canhões, e até mesmo que os pulsares podem atuar como balas de canhão. O que não se sabe é como as supernovas fazem isso.