Carma pode explicar muitas coisas na vida dos casais

Segundo os reencarnacionistas, os motivos para um casamento ser feliz ou infeliz são perfeitamente justificados por episódios de vidas passadas de cada integrante do casal

No conceito reencarnacionista, o casamento une duas pessoas muitas vezes antagônicas para tentar aplainar seus problemas de relacionamento (Foto: iStock)

Se a união entre os sexos é uma lei imposta pela natureza para a perpetuação da espécie, por que há tantos percalços e desilusões no caminho dos casais que, consciente ou inconscientemente, não fazem mais que obedecê-la? Pelas religiões e filosofias gerais, que ensinam que o homem e a mulher foram criados na hora do seu nascimento ou da concepção, e que seus espíritos não existiam antes, é impossível descobrir a resposta. Isso não acontece se procurarmos a explicação na reencarnação, como sugerem doutrinas como a espírita.

Para os reencarnacionistas, o homem foi criado simples e ignorante, e as vidas sucessivas não passam de um processo corretivo e educador que tem por fim a evolução. Nesse programa de vidas sucessivas, as pessoas renascem em diferentes posições sociais, de saúde, de sexo e de relacionamento, e como a lei é universal e igual para todos, elas se reencontram com outros membros do seu grupo, todos em diferentes posições de relacionamento, segundo as necessidades evolutivas individuais ou grupais.

Assim, uma pessoa que teve um filho numa vida poderá renascer em outra como seu irmão, seu filho, sua amiga, seu esposo, etc. Poderá também apresentar-se como pessoa do outro sexo, como ocorre com os transexuais, os homossexuais, etc. Cada vida tem por fim proporcionar experiências diversas de trabalho, de relacionamento e de posição social, assim enriquecendo o espírito humano.

O casamento é uma prova difícil, pois é nele que duas pes­soas, muitas vezes antagônicas, vivem juntas na tentativa de aplainar problemas de relacionamento e outros oriundos do passado de ambas. Qual seria o método empregado para levar essas pessoas a se unir? O esquema é o seguinte: quando ainda aguardam a oportunidade de renascer, no plano espiritual, elas conhecem o seu passado. É sugerido a elas, então, que, para sanarem problemas desse passado, seria conveniente tentarem viver juntas. Assim se conheceriam melhor.

Criação de miragens

Se as duas aceitam, renascem em épocas adequadas e as lembranças que poderiam dificultar a união são apagadas de suas memórias. Para ajudá-las a cumprir o que se propuseram a fazer, o plano espiritual faz com que se encontrem e lança mão de vibrações amorosas que também criam uma miragem. O moço e a moça se apaixonam e se casam; mesmo depois que a miragem se desfaz e o amor esfria, eles, para sua própria tranquilidade e bem-estar, se esforçam para resolver os problemas que surgem no convívio diário, e que podem incluir os filhos. Assim, enfrentando as lições que o matrimônio oferece, eles, além de aprenderem, ressarcirão seus débitos mútuos. Os que abandonam a luta, sem terminar o que se propuseram a fazer, aumentam seus débitos e repetirão a dose em outras vidas.

Cerimônia de núpcias: cada cônjuge vê no parceiro uma miragem (Foto: iStock)

Um exemplo que conhecemos é o caso de uma jovem solteira e de boa família que foi passar uma longa temporada no exterior, onde se apaixonou por um homem e engravidou. Temendo a reação da família, ela entregou a criança a duas mulheres, que a criariam com a ajuda financeira prometida pelo pai.

A moça depois voltou para o seu país, e o pai esqueceu o compromisso que havia assumido. A criança – um menino – foi então criada pelas mulheres de forma precária. Descobriu suas origens e revoltou-se com o abandono. Terminou por tornar-se um delinquente.

Tempos depois, a mãe voltou ao plano espiritual, onde ficou por algum tempo. Ao se aproximar a época de retornar à Terra, foi-lhe apresentado um quadro da vida anterior. Como ela havia adquirido certo grau de espiritualidade, compreendeu seu erro e se sentiu impelida a ajudar o filho na medida do possível. Assim, quando lhe foi sugerido que assumisse a responsabilidade de viver perto dele, ela aceitou e a vida de ambos foi então delineada em grandes traços. Ela reencarnaria e viveria como sua esposa.

O esforço diário de aparar arestas também se estende ao relacionamento com os filhos (Foto: iStock)

As lembranças da vida anterior foram varridas e ambos renasceram. De uma forma estranha, ela se reencontrou com o moço que anteriormente fora o seu filho. Vieram o namoro e o casamento, que azedou quando o marido se mostrou totalmente irresponsável. Quando os filhos nasceram, o pai, voltado para si mesmo, pouco interesse mostrou e, sem ter noções de como viver numa sociedade regida por leis, metia-se em constantes dificuldades. À esposa (que na encarnação anterior lhe fizera mal) cabia salvá-lo das consequências, trabalhando para ambos e para a criação dos filhos. Assim, viveram uma união amarga, em que os incidentes desagradáveis ocorriam em monótona sequência e só terminaram com o suicídio do esposo.

Justiça perfeita

Se fôssemos procurar nos dogmas das igrejas ocidentais a razão pela qual o Criador formara duas criaturas tão diferentes, unindo-as depois em matrimônio, só poderíamos pensar que, por motivos misteriosos, Ele fora profundamente injusto. Não teríamos condições de compreender por que o marido se comportava daquela forma nem de explicar por que ela suportava as agruras do casamento quando poderia ter optado pela separação. Mas para os que sabem como a reencarnação opera, a justiça se mostra clara e perfeita: uma mãe egoís­ta e irresponsável recebe, na qualidade de companheiro, também irresponsável e egoís­ta, o filho que abandonara em outra vida. O jovem anteriormente desamparado, sem a mãe que o protegesse e ensinasse então, é atraído para aquela que fora em parte responsável pelos erros que cometera em outra vida.

Reencontrando-se, ambos tiveram condições de resolver ao menos parte dos seus problemas e aplainar algumas das suas faltas. Quanto ao pai, que desprezara seu compromisso de ajudar financeiramente na criação do filho, as leis da reencarnação também o preparam para assumir essa responsabilidade, seja num futuro próximo ou distante. Em outras palavras, a semea­dura é livre, mas a colheita é obrigatória, e o que um semeia outro não colhe.

Vemos também que o dito popular “os casamentos são feitos no céu” expressa uma realidade. Se substituirmos a palavra “céu” por “plano espiritual”, compreenderemos que os casamentos são de fato tramados em outra dimensão.

 

 

O texto aqui reproduzido é um excerto
de “Carmas e casais: o casamento e seu
verdadeiro objetivo”, publicado em
PLANETA 114, 
de março de 1982.