Catalisador sintético imita processo feito por enzimas em seres vivos

Primeira tarefa do novo catalisador é a produção de metanol com redução de custos e de consumo de energia

O catalisador sintético, feito de polímeros macios (roxo) e um núcleo de paládio duro (rosa). Uma vez aquecido, o paládio converte moléculas de oxigênio e monóxido de carbono (amarelo e laranja) em dióxido de carbono. A reação para quando, tal como com enzimas vivas, os polímeros são saturados com dióxido de carbono. Foto: Gregory Stewart/Centro de Aceleração Linear de Stanford

Pesquisadores americanos inspiraram-se no biomimetismo (a adaptação de ideias encontradas na natureza para aproveitamento científico) para desenvolver um catalisador sintético que produz substâncias químicas tal como as enzimas fazem em seres vivos. Catalisador é uma substância que altera a velocidade de uma reação química sem ser consumido por ela.

Segundo os cientistas, da Universidade Stanford e do Centro de Aceleração Nuclear da instituição (SLAC, na sigla em inglês), em artigo publicado no periódico “Nature Catalysis” e abordado na revista “Cosmos”, a descoberta abre caminho para catalisadores industriais capazes de produzir metanol usando menos energia e a custo menor.

“Nós nos inspiramos na natureza”, diz Matteo Cargnello, de Stanford. “Queríamos imitar a função das enzimas naturais no laboratório usando catalisadores artificiais para produzir compostos úteis.”

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Versátil, o metanol tem aumentado sua demanda por, assim como o etanol, ser um combustível que representa emissões de CO2 menores do que os seus rivais de origem fóssil.

O eficiente catalisador artificial é feito com nanocristais de paládio, um metal precioso, incorporados em camadas de polímeros porosos sob medida com propriedades catalíticas especiais. “A parte interessante”, frisa Cargnello, “é que podemos aplicar esses materiais a muitos sistemas, ajudando-nos a entender melhor os detalhes do processo catalítico e nos aproximando das enzimas artificiais”.