Catarata nos olhos é causada por desequilíbrio de proteínas

Quando o equilíbrio é rompido, as células se agrupam e o cristalino fica turvo, afirmam cientistas alemães

Na catarata, o cristalino, que na verdade é claro, fica turvo. Crédito: Uli Benz/TUM

A catarata é a doença ocular mais comum em humanos. No entanto, os processos exatos que levam a essa condição não são totalmente compreendidos. Uma equipe de pesquisadores alemães e austríacos liderada pela Universidade Técnica de Munique (TUM, na Alemanha) descobriu agora que a composição da solução de proteína desempenha um papel decisivo. Suas conclusões são contrárias à opinião predominante na área. O estudo foi apresentado na revista “Nature Structural and Molecular Biology”.

As células do cristalino consistem em uma solução de proteína altamente concentrada que normalmente é transparente. “Quando o equilíbrio das proteínas no cristalino é destruído, elas se agrupam e o cristalino fica turvo”, diz o prof. Johannes Buchner, da cadeira de Biotecnologia da TUM. Isso resulta na condição conhecida como catarata.

O turvamento pode ter diferentes causas. Como as proteínas do cristalino são formadas no embrião e não são substituídas, os danos podem se acumular com o passar dos anos. Isso faz com que o cristalino fique embaçado. É por isso que a catarata ocorre principalmente em pessoas mais velhas. Mas alguns indivíduos têm uma predisposição genética para a doença ocular, na qual as proteínas do cristalino sofrem mutação. Nesses casos, a catarata está presente no nascimento ou durante a infância.

Proteínas instáveis ​​eliminadas

Os cientistas estudaram cepas de camundongos afetados por catarata hereditária. Eles trabalharam com o grupo de pesquisa em torno de Jochen Graw, especialista em cristalinos que até 2019 foi professor do Instituto de Genética do Desenvolvimento no Helmholtz Zentrum em Munique.

Até agora, a visão predominante dizia que apenas as proteínas defeituosas no olho estavam reagindo umas com as outras e formando aglomerados. Mas a equipe de Buchner mostrou agora que, nos ratos com “catarata genética”, esse não era o caso. “Descobrimos que as proteínas mutantes e instáveis ​​nos cristalinos não estavam lá”, diz Buchner. “Elas são eliminadas imediatamente.” Em vez disso, as proteínas “saudáveis” se agrupam. “Nosso modelo, baseado nessas novas percepções, diz que o equilíbrio entre as várias proteínas, ou suas proporções entre si, é importante. Quando um desses componentes está faltando, os restantes interagem e formam aglomerados.”

Etapa importante

Muitos estudos foram realizados para compreender as causas da catarata. “Mas nunca antes houve uma investigação tão abrangente dos cristalinos em ratos, comparando populações selvagens e mutantes”, diz Buchner. Os novos conhecimentos são um passo importante na busca de novos métodos de tratamento para catarata. O método mais comum é a cirurgia, em que lentes artificiais são implantadas no olho.

“Se você entende exatamente o que está acontecendo, também pode pensar em maneiras que podem usar medicamentos para interromper as interações ruins”, diz Buchner. “Mas ainda temos um longo caminho a percorrer – e primeiramente precisamos mostrar que o modelo proposto também se aplica aos cristalinos do olho humano.”

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